sábado, 27 de novembro de 2010

Inerte

Vejam, todas as luzes da cidade estão acesas, ritmadas ao som de relógios. Postes cambaleiam e rodopiam quando se olha pelos olhos do bêbado estendido na esquina. A noite escorre devagar pelos ralos do dia. Sugada, engolida e digerida. O bêbado resolveu que a calçada era confortável o bastante para ele e sua garrafa suja de pinga. É comum aos seus ouvidos o barulho de passos, buzinas, vozes, freios, gritos, e toda essa agitação que as pessoas fazem para serem iguais. Até o som dos soluços da figura ébria esparramada no chão é banal. É igual. É a rotina que acompanha e faz mover todos os dias engolidores de noites.

Um comentário:

aldaí disse...

muito boa..
gostei..
parabens....