quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cabeça de borboleta

Batia no pote de vidro com os dedos agitados. Sorria. Mas logo ficou impaciente quando viu as borboletas tristes e murchas, sem vontade de voar. Balançou o pote com raiva. Esperava ver alegria nas pequenas prisioneiras com asas. Agora limitadas. Amputadas. Pois não há nada de sorrisos na falta de liberdade. Cansou e sentou-se ao lado do pote, cruzando as pernas desajeitadas de menina arteira.
- O que há com vocês borboletas? – disse manchando o pote com o seu hálito.
Mas não obteve respostas. Suspirou. Fez careta. Entristeceu os olhos.
- Vocês deveriam ficar felizes, e voar um pouquinho. – deu um peteleco no vidro e suspirou mais uma vez.
Resolveu perguntar a outro que soubesse responder, viu a mãe passando pela porta do quarto.
- Mamãe, o que há de errado com as borboletas?
A mãe se aproximou e sentou-se numa cadeira pequena de madeira.
- Elas têm saudades minha querida. - tinha ternura nos olhos.
A menina lhe olhou confusa, com uma sobrancelha arqueada.
- Saudades de que?
- Da liberdade meu bem.
- Hum? – coçou a cabeça.
- Deixe-me ver como posso explicar... Já sei! Qual e a coisa que você mais gosta de fazer no mundo inteiro?
- Pode ser duas? – disse afoita.
- Pode. – sorriu.
- Brincar na chuva e comer jujuba. – disse entre pulinhos.
- Está bem. Agora imagine que você está dançando na chuva e comendo jujuba, alguém aparece e lhe tira da chuva, lhe tira as jujubas e lhe obriga a viver sem chuva e jujubas. Como se sentiria?
- Credo mamãe, não fale isso. Eu iria chorar para sempre. – fez uma careta.
A mãe esboçou meio sorriso e pegou nas mãos da menina.
- Mas é assim que as borboletas se sentem querida.
A menina cobriu a boca com as mãos, enquanto a pena lhe cobria o rosto.
- Eu não sabia... – disse baixinho sentindo-se envergonhada.
- Eu sei meu amor. Não foi culpa sua. – passou as mãos no cabelo da filha.
- Mamãe, se importa de me deixar sozinha com as borboletas? Quero me desculpar. – fitou as mãos.
- Claro que não me importo querida, já estava indo estender as roupas no varal mesmo. – beijou a testa da filha e saiu.
Quando a mãe fechou a porta atrás de si ela encostou os pequenos olhos tristes no vidro, observando as asinhas colorias das pequenas borboletas.
- Ah, senhoras borboletas... Desculpem-me, eu não sabia que estava tirando as suas brincadeiras na chuva e as suas jujubas. – disse abrindo o pote de vidro. Debruçou-se sobre a janela, e ficou lá, observando as borboletas se afastarem em vôo trôpego, mas logo conseguiram o equilíbrio magistral. E a menina se imaginou brincando na chuva com a boca cheia de jujubas coloridas.


4 comentários:

William Thomaz disse...

Que lindo isso meu! Eu li duas vezes pra pegar os detalhes. Você escreve muito bem *-*
Continue, continue. Vou estar sempre passando por aqui vendo seus posts.
To seguindo :)
abraçoo

http://williamdearaujo.blogspot.com/

Maiara :) disse...

Nossa, obrigada!
Fico feliz por isso :D

juliana disse...

mai que legal o novo layout, esse deu uma leveza ao blog!bjo!n achei o selo

Maiara :) disse...

Eu também achei *-*
E o link do selo ta num comentário no primeiro post do teu blog criatura, haha