quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pequena Joana


Menina de olhar curioso, finge explorar florestas em seu jardim. Lá vai ela, com um vestido que tem as marcas de suas pequenas mãozinhas. Caminha afastando as plantas como se fossem enormes folhas silvestres. Nos pés as velhas meias coloridas, e no cabelo marias-chiquinhas tortas. Mas não liga. Agora é uma exploradora em seu mundo. Anda fazendo caretas e esquivando-se, dizendo enfrentar os mais difíceis obstáculos da Terra. Vez ou outra se abaixa para olhar formigas que levam folhas nas costas. Ela acha graça. Pula em pedras, se equilibrando com os braços abertos. Encara o tronco de árvore no chão com uma expressão de coragem. É o jacaré de seu rio. Pula-o e faz uma careta de deboche. Quando encontra as margaridas, enfim descansa. Deita-se no meio das flores, com a cabeça apoiada num dos braços. Olhando as nuvens e apontando-as, as contorna mentalmente. Arranca uma margarida. Faz o bem-me-quer e o bem-me-quer. Não quer correr o risco de alguém mal lhe querer. Sorri enquanto brinca com o miolo da flor. Volta a olhar as flores a sua volta, dessa vez ela observa um pontinho vermelho com bolinhas pretas se mover nas pétalas de uma das margaridas. A menina senta-se e inclina-se, olha de perto o corpinho da pequena joaninha. Não resiste e coloca o indicador próximo a ela. O inseto o escala, e a menina vibra de alegria. Trás o dedo para perto, admirando o pequeno bichinho. Carregando no rosto uma expressão maravilhada.
- Joana! – ouve sua mãe gritando ao longe.
- Sua mãe também lhe chama assim quando está brava? – diz encostando o dedo na flor. A joaninha voa sumindo entre a sua floresta.
- Acho que sim. – diz pra si mesma enquanto corre para a casa.

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