quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Carta tímida

Querido,

Antes de tudo direi que o seu pedido quase me destruiu. É isso mesmo, sem exageros. Naquela noite linda que você travou seus olhos acesos nos meus, tive a certeza de que as estrelas aprenderam a brilhar lhes observando. Mas deixo essa parte para depois, direi o que quase causou a minha destruição: o seu pedido, meu bem. Quando me pediu com uma voz doce e cordial para que eu escrevesse uma carta para você, eu desmoronei. Não que escrever fosse um problema; isso na verdade é a minha solução para quase todos eles. Mas o problema era escrever para você. Logo você.
E foi naquele momento que vi as minhas palavras fugirem para bem longe. Senti-me uma criança brincando de pique - esconde. Senti-me com o rosto colado na parede, cobrindo os olhos enquanto as palavras gritavam de algum lugar distante: “- Conte até o infinito, moça!” Imagina a aflição que eu senti? Achei que cairia em pedaços bem ali, em frente ao seu sorriso aberto. E quando lhe perguntei sobre o que deveria escrever, ah... aí sim me senti uma tola. Tive vontade de colocar o dedo na órbita do tempo e burlar o seu sentido. Voltar àqueles míseros segundos que pesariam para sempre em minha memória. Pesariam se não fosse por suas palavras subsequentes, seguidas pela confirmação dos atos. Palavras essas tão cheias de sinceridade que eu queria apenas encobri-las com os meus lábios, mas você foi mais rápido. “- Escreva o que sente quando lhe olho desse jeito, quando lhe beijo desse jeito, quando lhe sinto desse jeito...” E quando você disse essa última parte me puxando mais para perto, eu quis chorar, mas as lágrimas escorreram em sentido avesso, e sei que você percebeu.

E foi aí querido, em seus braços, que descobri que contar até o infinito talvez não fosse tão ruim assim. Descobri que mesmo com os olhos fechados contra a parede, eu teria algumas palavras para você. Talvez eu as resgatasse de dentro do meu bolso surrado. Talvez eu as inventasse, apenas por você.
Por isso, depois de muitas tentativas falhas em manter com firmeza um lápis entre meus dedos, agora escrevo. Rodeada por papeis amassados; todos eles têm um pedaço de mim. Mas esse que agora você encara com aqueles olhos acesos, invejados por estrelas de universos paralelos e perdidos, esse sim, tem tudo o que quero lhe dizer. Tudo talvez seja uma pretensão minha, mas tem o que quero que você saiba – se não já sabe. Tem o que quero que você sinta quando lhe sinto. E tem portas e janelas que esperam copiosamente por sua travessia.
Preciso confessar-lhes: você é o meu alguém. Você é a terceira pessoa do singular das minhas melhores epístolas. Sabe querido, quando eu digo 'você' eu digo 'eu' ao mesmo tempo, eu digo nós. Ah querido... você me faz querer dizer 'nós' a todo o momento.
Então lhe pergunto: Consegue imaginar o que seria da minha espera angustiante sem a sua presença por trás dela? O que seria dos meus ouvidos sem a música que os seus sorrisos fazem? Porque eu não consigo; e também não quero conseguir. E saiba que até do seu silêncio descobri que gosto. Mas não é de qualquer silêncio, é aquele que você faz quando desenha um risinho no rosto. Só para mim.
Agora, depois de ter me dilacerado entre as palavras certas e as melhores palavras a serem redigidas, não me resta dúvidas que sem você eu jamais poderia sentir-me tão triste e tão incomensuravelmente feliz. Não ao mesmo tempo.
O que eu sinto quando lhe olho; quando lhe toco; quando lhe beijo, nenhuma palavra poderia dizer ao certo. Mas por atalho, lhe confessarei que o equilíbrio me esvai, e que ao mesmo tempo volta quando sinto seus dedos nos meus. Direi, meu bem, que rir com você me acalma. E que os seus beijos me fazem explorar outros mundos, idealizados por mim em sonhos. Eu sei, isso é tão cheio de pieguices, mas desde quando te chamo de meu isso vêm acontecendo comigo. Ah querido, são tantas as coisas que sinto, que se eu chamar de amor seria um belo clichê. Mas por enquanto, já que as traduções exatas evitam se aproximar desse sentimento que são tantos e um só, direi em tom sereno, que te amar é o meu melhor chavão. E que cada vez que digo aquelas três palavras já conhecidas e até surradas; bem, para mim é como se eu as dissesse pela primeira vez.
Não prolongarei mais esta carta, sei que por trás de todas as palavras você sentirá a verdade e as devidas sensações que elas as escondem, só para - só por você.

DilaceradAmadamente,

Sua.

15 comentários:

Naa disse...

Que coisa mais linda que você escreveu!
Fuçei seu blog todinho :$

Passa no meu blog:
http://ameninaeoastronauta.blogspot.com
Beijo :*

Giovanna Lundgren disse...

Esse texto merece um prêmio. heh
ta muito perfeito, cheio de sentimento.

. pamela moreno santiago disse...

Que lindo *-*
Apaixonante a leitura.

Caroline Araújo disse...

Então, o meu chavão será elogiá-la, mesmo que os elogios se cansem de serem gastos por mim.
Quem não quer viver e sentir um amor assim? As suas palavras o retrataram tão bem.
Com certeza, a beleza dos seus textos ultrapassam facilmente a qualidade dos meus comentários. Mas a sinceridade é real.
Quanto ao lado técnico, o seu texto se encontra impecável. A cada pontuação as suas frases respiraram com perfeita leveza.
Grande beijo.

Danii disse...

Depois de tantas tentativas de escrever essa carta, como você mostrou no texto, não poderia ter tido um resultado melhor *-* Ficou linda , super sentimental e verdadeira. Tem umas frases tão profundas, linda mesmo :DD Parabéns, de novo. riri (:

Uma menina sonhadora, mas feliz! disse...

Que blog lindo, que palavras bem colocadas. Diria que mt Sinceras! Parabéns, pelo blog. Gostei tanto qe tô te seguindo ' rs
Se puder me visita tb:
http://cecisouza.blogspot.com/

Se gostar, segue. Ficaria feliz! :)

Sucesso, grande beijo!

Jaynne Santos disse...

Simples e tão ao mesmo tempo perfeito!
Parabéns pelo talento!
Bjs

- line castro :) disse...

tem selinhos pra voce no meu blog. visite lá:
http://liinecastro.blogspot.com

• cynthia bs disse...

Ai, que lindo, Maiara. Amei (ll)
Ah, mais uma vez agradecendo pelo selinho, logo logo irei portá-lo em meu blog.

"E saiba que até do seu silêncio descobri que gosto. Mas não é de qualquer silêncio, é aquele que você faz quando desenha um risinho no rosto. Só para mim" Ai, até sorri quando li esta parte, rs.

Beijos, e ótimo fim de semana **

Luanderson disse...

Excelente!
A cada dia você encontra uma nova maneira de ditar as entrelinhas.
Parabéns..
beijo

Jota disse...

Mania de mulher achar que todo sorriso é um convite, que toda palavra é uma verdade e que todo gesto é feito pra ela não é?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Lindo o texto. A propósito, você é linda e escreve bem. Casa comigo?
AOEIOAEIEIOAEIOAEIOAEIAOIE
[toddybriks]

Quanto ao seu comentário, obrigado pelas palavras. Fica com Deus!

Nicole f disse...

Seu texto me lembrou o filme ironias do amor, o meu favorito - e isso, com certeza é um elogio, em minha opinião.
Foi lindo, sabe?, cheio de sentimento, faz tempo que não escrevo algo assim e fico feliz quando posso ler.

. pamela moreno santiago disse...

muito obrigada pelas palavras. em breve tem continuação ^^

• cynthia bs disse...

Tem selinho para ti em meu blog!

Beijos **

Taty N.S. disse...

Quanto sentimento possui esse texto.

Beijos!
Taty!