segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Lençóis

Na areia cálida ela afunda os pés, sente meticulosamente cada grão acariciar os dedos finos. Caminha com sua roupa leve, sibilando com o vento que lhe beija o corpo. Hora corre por entre as águas cristalinas dos lençóis. Sente-se viva enquanto as gotas se espalham brilhando com o toque delicado da luz solar.
O sol agradável ilumina todo o ambiente, ilumina também o rosto sorridente emoldurado pelos cabelos negros derramados como cascata pelos delicados ombros femininos.
O vento ganha força e arrasta a areia consigo, e a mulher consegue ver uma figura masculina sendo formada pelos pequenos grãos pálidos. Ele inclina-se em sua direção, e estende-lhe uma mão, ela aceita. Dança com o homem de areia. Sente a maciez dos grãos finos como sal preenchendo suas mãos.
Uma música agradável ecoa pelo lugar paradisíaco, ela não sabe que música toca, apenas sente-a percorrer-lhes os ouvidos e o corpo. O vento chega mais uma vez e leva o homem para longe, ele se desfaz em um redemoinho branco. E a moça sorridente acena, lhe agradecendo pela dança maravilhosa.
Logo segura a saia de tecido leve, e corre por dunas alvas e águas translúcidas, sentindo a areia afagar os pés ligeiros que vão formando pequenas covinhas por onde passam. Mas não se demoram a desfazer-se pelo vento que segue aqueles passos, ele lhe toca nos cabelos, na roupa, no corpo, na alma. Sente a água se misturar com a areia, grudando alguns pequenos grãos em seus pés ligeiros. E ela continua a correr livre, como se planasse a cada passo rápido.
Abre os braços e gira descompassada, deixa-se cair. Permite que a areia sinta a sua pele assim como ela a sente. Deixa que as ondas negras do cabelo derramem-se pelo branco alvo da areia quente, pela água fresca sibilante. Deixa que as pálpebras deitem-se levemente sobre olhos amendoados, gravando na memória cada parte daquela paisagem esculpida por anjos, é assim pega no sono. Do outro lado ela acorda sentindo agora os lençóis que cobrem o seu colchão. Sorri quando sente nas mãos um carinho conhecido, abre-as e observa um pequeno redemoinho alvo dançar em suas palmas, e a música está lá, mais uma vez.

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