sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Luzes acesas

Agora se encontra jogado, em um canto longe dos olhos curiosos. Sente-se fraco, sente-se vazio. Impossível continuar.
Não, não é por falta de coragem. É por cansaço. Pois todas as tentativas lançadas foram seguidas pelo fracasso impiedoso. Todas as vezes que buscou alguém, esse alguém não lhe fez melhor. Não aceitou o seu pior, e o tornou ainda mais intragável. Por quê?
O mundo em sua volta o engole, ele se sente só. Apesar de toda a multidão, ele permanece sozinho.
Sente em suas costas os olhos frios da solidão que ri enquanto o observa. Ele está acostumado, isso já não lhe fere tanto quanto feria antes. Com o tempo a sua pele tornou-se rígida, criou uma espécie de escudo. Protegendo-se dos outros, porém, não consegue proteger-se de si mesmo. A sua pior mentira. E também a mais linda delas.
O sono chega, e o acaricia, tenta deitar-se sobre ele. Mas os seus olhos permanecem abertos, rolando lágrimas que descem pesadas, ele não consegue dormir. Ele sente que foi despedaçado por alguém, foi traído, deixado. Como um sapato velho que não tem mais serventia.
Dói quando encara o espelho, e vê a imagem na qual se tornou. Dói mais ainda quando consegue ver o avesso dessa imagem. É o que não mostra mais a ninguém. Pois mais ninguém entenderia.
Mas espere, ao longe, distante das suas mãos cansadas, ele vê. Por trás do manto salgado que enche os olhos e lambe o rosto. Talvez seja uma imagem mantida na imaginação. Se é real, ainda não sabe. Mas ele levanta-se mais uma vez. Em direção à luz acesa. Ela não pode se apagar. Ela simplesmente não pode. Não agora que o primeiro passo foi dado, mais uma vez.
Ele não sabe, mas a luz adormece em seu âmago, e se ela está longe, é porque quer ter a certeza de que ele ainda pode andar e ir em frente. Quer ter a certeza do quão persistente ele é. E do quão forte ele pode ser.
Apesar de todo o sofrimento, apesar de todos os motivos o levarem até a desistência, ele ergue a cabeça mais uma vez. Beirando o precipício que quer engoli-lo para sempre, ainda assim, ele vai. Está indo. Mais uma vez andando para o desconhecido. Mais uma vez marchando. Ele é forte, ah sim... Olhem para ele, olhem como caminha pisando firme. Seus pés doem, mas ele caminha. Ele está indo.
Vencendo a si mesmo, deixando que a morte o espere em uma outra data; ele sabe, ela sempre está presente, a todo o momento, a todo o lugar. Mas a vida também está, e ele está vivendo. Ele está pondo o seu rosto nu e cru para ser golpeado pelas verdades e mentiras que o rodeiam, acariciado por ambas igualmente. Mas à mentira ele anuncia o seu desprezo. Ele está desvinculando os seus dedos dos dedos frios mentirosos que querem lhe enlaçar.
Ele está começando a descobrir que o tempo todo luzes movem-se em seu cerne, elas esperam que ele mova-se também. E ele está se movendo agora. Não o pergunte para onde. Deixe que ele brilhe. Deixe que ele siga a sua luz acesa. Deixe que ele aprenda as ascendê-las e iluminar a quem quiser o acompanhar com o coração aberto.
Ele está indo.

Um comentário:

Ariane disse...

AMEI O BLOG (seriasso)
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Beijos