domingo, 9 de janeiro de 2011

Tempestade

27 de Outubro, 2010

As estrelas foram cobertas por nuvens carregadas que se amontoavam no céu do final de Outubro. Ao longe relâmpagos percorriam a escuridão com suas lâminas acesas. Dançaram em meus vitrais, nos externos e internos. Movendo-se a cada barulho que partia o horizonte em dois. Os raios cortaram a noite em suas variações simétricas. O vento correu com voracidade fazendo árvores inclinarem-se, saudando a sua presença.
Mais uma vez um estrondo ensurdecedor rompeu o céu, quebrou nuvens, fazendo suas lamúrias caírem iluminadas pela dança dos raios. Lágrimas escorreram por minha janela, encarei-as de perto e embacei o vidro com o meu hálito. Percorri a superfície frívola com a ponta do dedo indicador, desenhando o número oito, em sua devida inclinação. E mais trovões me cumprimentaram, iluminando a minha face extasiada.

Um comentário:

Franco disse...

um infinito na janela e um infinito lá fora. Os raios e as suas palavras eternizando o céu, Maiara. Lindo, senti a natureza conversando comigo e me desafiando pra um duelo luminoso.