sábado, 19 de fevereiro de 2011

Lembranças de Inverno

Ainda vejo aquela neve embranquecendo o meu jardim. Lembro dos meus braços cruzados, e da minha mão que passava constantemente no vidro embaçado da janela. Ainda ouço aquele som das chamas crepitando na lareira. E do que mais lembro é daquele meu momento de distração que não me permitiu ver a sua silhueta se aproximando, e me envolvendo pela cintura. Naquele momento eu esqueci de que era Inverno, porque você brilhava tanto, parecia que eu havia roubado o Sol e posto em minha sala. Esqueci até do seu desmazelo imposto a mim no Outono.
Naquele dia vimos um filme antigo, você quebrou uma garrafa de vinho tinto no meu assoalho, então relei com você. E vi os seus olhos de menino que não havia feito propositalmente.
A mancha ainda está aqui, sabe. Eu não fiz questão de removê-la e nem tentei. E hoje quando a saudade é muita, eu deito-me no chão e encosto a bochecha em cima da mancha escura. Confesso que isso não ajuda, mas a cena me parece tão viva que esqueço de que você não tem estação certa para impor-me a sua ausência.
Às vezes exijo que você seja mais previsível, mas então penso que isso o faria menos você e mais outro, e as minhas lembranças só são lembranças quando você as causa e se faz efeito. Você, e não outro.


[Lembranças de Outono clicando aqui, caso sinta vontade de ler].

10 comentários:

Caroline Araújo disse...

Ultimamente eu tenho lido muitos textos sobre a saudade; E a que se encontrava aguarda aqui no peito calada, domada por mim, rompeu o seu silêncio e demonstrou-me o quanto ainda é viva, dilacerante.
As suas palavras Mai, causam isso em mim. A sua escrita tende a ser o clímax de todo o rebuliço de sentimentos que raros textos causam em mim.
Alguns textos jorram essa ausência, esbanjam a dor causada pela saudade, dilaceram-se em palavras tanto quanto a própria dor da falta. Desculpe-me as comparações, mas a sua escrita é diferente.
Ele vem rasteiro, enquanto, a ausência foge das suas palavras e se infiltram em mim de vagarinho; Vejo a água em meus pés, depois em meus joelhos e quando dou por mim já estou afogada nos sentimentos das suas palavras. Não há tempo nem de gritar, pedir socorro. E eu não quero, desejo mesmo é ficar por aqui.
Grande beijo.

Thaís disse...

Nada melhor do que preservar uma marca, uma lembrança, para reviver certos momentos. Por mais que a saudade doa, é um bom modo de aliviar as angústias. *-*
Lindo texto!

Jaynne Santos disse...

Meia hora parada depois de ler esse seu texto. Meia hora parada, só absorvendo essas palavras tão vivas. Meia hora sendo invandida pelas "entrelinhas". Meia hora pensando o que escrever aqui.

É esse o efeito que seus textos causam em mim, o efeito da meia hora. E eu poderia passar mais tempo procurando as palavras certas, mas nenhuma delas brilhariam o suficiente para descrever o que aqui me paralizou por meia hora.

Beijos;

Gabriele disse...

Suas palavras são intensas menina.
Você realmente tem o dom.
Meus Parabéns.
Grata por dividir este sentimento através deste teu texto.

Minne disse...

A saudade sempre arranjando um jeito de se meter entre as pessoas. Lembranças de inverno, acho que o título não poderia ser mais nostálgico para mim, principalmente porque eu ADORO o inverno e tenho nostalgia durante ele, quando ouço o barulho da chuva no telhado e o cheiro adentrando em minha porta é o passado voltando na certa. Não tem nada mais acolhedor que passar o inverno com alguém que amamos. Eu adoro a forma com que junta as palavras e como que elas se desenrrolam ao longo do texto, formando frases encantadoras aos meus olhos. Falando de olhos, descreves tão bem, que eu vejo a cena toda passando diante deles.

• cynthia bs disse...

Acho que já sabes que eu amo "detalhes", o que está incrivelmente presente neste texto. Adoro o inverno. Essa sensação de gelar perante algo tão natural e divino.

Bom, lembranças são lembranças. Mas não somente lembranças; existe algo que dilacera o coração. São as estrelas que brilham alegremente em nossos corações, jorrando sentimento das lembranças que ficaram. Aplaudindo efeitos e causas, conjugando cada ponto de saudade permanente.

Bom, um ser será sempre o mesmo ser como pessoa, assim como nós o conhecemos, mas a sua essência não prevalece, afinal o ser humano está em constante mudança.

Gostei muito, Maiara.

Beijos.

Com amor,
Cynthia *

Monique Premazzi disse...

Simplesmente lindo os dois textos. A saudade parece mais presente do que nunca na vida de muitos blogueiros ultimamente. Tudo bem, os sentimentos mais lindos estão presentes na saudades, por isso a sentimos.
Linda a forma que você escreve. Amo cada vez mais vir aqui ler suas palavras. *-*

Beijo :*

Bell Souza disse...

São raros os textos que eu leio na bloguesfera e fico triste porque acabou, esse texto, como os raros, é um dos que me aperta o coração por não ter mais. E isso que é a delícia da escrita: despertar esse aperto que só eu tenho com o que é bom.

. pamela moreno santiago disse...

Obrigada pelas palavras meu bem.
Confesso que hoje minha cabeça não está bem para ler, mas eu volto aqui amanhã para ler seu texto todinho.
Beeijos

• cynthia bs disse...

Maih, tem um selinho para você em meu blog. Espero que gostes.

E muito obrigada pelos comentários que sempre me dão enorme ânimo e me ajudam a prosseguir com meu objetivo. Beijos.

Com amor,
Cynthia **