domingo, 20 de março de 2011

Lágrimas de um Corvo


Na neve pálida encontra-se um ponto negro evidente
É o corvo esquecido pela noite insurgente
A escuridão foi rompida pela claridade do dia
E o pássaro tomado pela brancura tardia

Pássaro ferido banhado de dor
Roubaram-lhe as asas e lhe tomaram o amor
Do bico pontudo goteja a agonia veemente
E o gelo é derretido por lágrimas quentes

A neve se rende às suas lamúrias
Mas em todo o canto ainda se vê brancura
O corpo penoso é tomado por sangue
Que escorre de dentro para os extremos pulsantes
O coração ainda bate ritmado
Mas a alma envolve-se ao ocaso

Pobre pássaro abandonado,
Fora traído, esquecido, deixado.
Agora lhe resta o líquido salgado
Para derreter os pedaços gelados

Balbucia em um tom baixo que quase some:
Oh, noite escura, leva-me para longe.
E a noite de algum lugar responde:
Irei ver-te, mas sabes, passarei em um só instante.

E o corvo em sua espera permanece
Sangra enquanto padece
Sobrevive em sua negra veste
E chora enquanto não anoitece.


* 31ª Edição Poemas - BLQ

15 comentários:

Erika Santos ♥ disse...

queridinha feliz dia do blogueiro..
bejin bejin

Sabrina Torres disse...

Olá Maiara. Te peço mil perdões por não ter comentado aqui ultimamente. Não sei o que acontec comigo, quando leio seus textos as palavras me fogem e sou incapaz de postar meus comentário, opiniões etc. Por mais que eu fique triste por não conseguir comentar eu até que gosto, pois as palavras mais belas são as palavras silenciosas, pelo menos para mim.
Espero que não se chateie comigo.

Bjs :)

Aline Castro. disse...

Linda, feliz dia do blogueiro *--*

@samylesousa disse...

Nossa, muito lindo, o jeito que você descreve tudo, dramatiza as palavras de uma forma tão gostosa de ler, adoreii...

Amo seus textos (apesar de não comentar, é dificil descrever certas coisas, fico confusa)

Feliz dia do blogueiro..

http://agarotaperfeitatemdefeitos.blogspot.com/

Giovanna Cóppola disse...

Puta que o pariu, Maiara. Eu gosto de ler coisas que me arrepiam, e isso me arrepiou MUITO. Lindíssimo, muito intenso. Voltarei aqui mais vezes. :)

Gabriele Santos disse...

*________*
por que toda vez que venho aqui não sei o que comentar?
seus textos me sugam as palavras. Na verdade, acho que as minhas palavras paralisam-se diante das suas.
é como se eu sentisse na pele toda a agonia deste 'corvo' ansiando desesperadamente para a noite chegar, mas ela é tão curta...
Lindo demais.
Parabéns.

Jaynne Santos disse...

Estava eu levando meu 'cachorro' para passear novamente e ele me veio correndo para aqui e fez xixi de novo. Espero que você não se incomode por ele ser assim tão mal educado. Haha.
Mai, seus poemas merecem toda a minha admiração, assim como seus contos, devaneios e suas palavras em si. Elas deixam qualquer cachorro abanando o rabinho. Sabe, um dia desses eu estava aqui lendo um de seus contos e minha mãe fala: Jaynne, vem arrumar essa bagunça que você deixou na cozinha. Eu respondo: Calma mãe, tô no blog da Mai. Ela pergunta: Quem é Mai? Eu digo: Uma escritora fantástica.
Aposto que ela pensa, 'deve estar lendo algum livro de novo', já que não estar por dentro dessas tecnologias, mal imagina ela que seus contos valem por um.

Grande beijo;

Pedro Menuchelli disse...

Bem Maiara, eu peço desculpa por demorar a vir comentar aqui novamente, estou meio sem tempo, mas estou sempre te acompanhando. Queria dizer que fico super feliz por existir tal consideração por sua parte para comigo. Fiquei hiper contente em saber que você me entende de uma maneira maravilhosa.

De toda maneira, seus textos são explêndidos. Caracterizam uma maneira de escrever maravilhosa, cheia de sentimentos e convicção. Maravilhosa, como sempre!

Queria dizer que é uma honra te seguir, de verdade. Uma boa semana, com carinho,

Pedro.

Jaynne Santos disse...

Ah Mai, deixei alguns selinhos para você aqui:
http://jaynnesantos.blogspot.com/p/selos.html

Espero que goste.
Beijo;

Caroline Araújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caroline Araújo disse...

E como não sentir a neve a tocar as minhas costas? Como não admitir que o peso do manto negro faz-se intenso sobre mim? E ainda que eu seja livre para voar, como posso conseguir alçar voos longos se visto-me completamente de cada verso seu?
Mas é tão bom se sentir assim; Olho em volta e não vejo as penas, busco a resposta da noite, mas essa se mantém silenciosa. Reviro-me confusa e vejo que voltei a ser eu mesma quando li o ultimo ponto, humilde leitora diante de tanta beleza - deixe-me levar apara dentro das suas palavras.
Grande beijo querida Mai, lindo lindo escrito. Merece pódio, como sempre.

Monique Premazzi disse...

Algumas acontecimentos nos deixam pra baixo, nos fazem chorar e querer desaparecer, mas nunca é tarde pra voltar a voar. Somos livres e podemos escolher entre os milhares de caminhos para seguir, mesmo que seja para o mesmo.

Lindo seu poema, Mai. Sou suspeita, porque amo seu blog demais *-* Só que de verdade, está lindo. Parabéns! E boa sorte.

Beijinhos, se cuida s2

C. disse...

Ontem dei uma passada por aqui, mas quando entro num blog, leio, releio, sinto, entendo, faço minhas ideias, vivo meu mundo em minha bolha, às vezes não entendo nada, ou nao sinto, por isso voltei hoje. Gosto de me sentir no sentimento de quem escreve, se ver no mundo delas com a minha visao, assim como gosto quando se sentem assim também no meu.
Ontem eu tava muito sei lá, nem tava em condicoes de ler esse corvo. Esse corvo que com toda essa descrição poderia levar o nome de cada um na testa, naquele meu momento de ontem. Obrigada pela ´viagem` linda.

Também fiz uma caixinha de recadinhos, é legal.

Tenha um dia cheio de coisa boa.

Dani Ferreira disse...

Que poema mais lindo Mai. Parece algo tão curto, mas uma história tão longa, que nos faz sentir como o corvo, nos faz sentir suas dores, nos faz sentir a neve ...
Estou admirada até agora, de verdade. Muito bonito mesmo Mai. Espero que você ganhe :B Não entendo nada sobre as regras de poemas, mas enfim rs
Bgs e boa semana :*

Gabriel G. disse...

Que personificação de um corvo hein?!senhorita arretada, sentimentos, atitudes todas humanas. Acho que a noite roubou-me as palavras "Irei ver-te, mas sabes, passarei em um sí instante."