sexta-feira, 4 de março de 2011

Meu pequeno Príncipe


Eu mantinha meus olhos presos na capa de um livro que eu olhava e não lia, isso é vergonhoso para mim, porque até hoje ainda não consigo lembrar o título daquele livro que eu folheava freneticamente sem nem perceber. Você estava perto, e levava seus olhos das lombadas dos livros até mim, e isso eu percebi, porque na verdade eu lhe observava em silêncio. Senti sua silhueta próxima e ri para mim mesma, muito mais de nervoso do que de qualquer outra coisa. E em frações de segundos imperceptíveis você já estava me envolvendo com os seus braços. Eu tirei meus olhos da capa do livro oculto e os lancei em você, e foi assim que senti aquele primeiro beijo de nós dois. O beijo que fora assistido pelos inúmeros livros, e pela bibliotecária rabugenta com uma expressão monótona atrás de sua mesa. Quando ela nos viu, nos acusou, dizendo que biblioteca não era lugar para tal coisa. Ah, senhora, onde mais seria então? Eu a mandaria abrir alguns dos meus livros preferidos para certificar-se de que ela estava completamente errada sobre isso, mandaria se não estivesse tão atônita com você ali, comigo.
E esse foi o começo oficial de nossos laços, esse foi o começo do nós.

E depois de tanto tempo, eu ainda não sei dizer tudo o que você tem sido, tudo o que você é, porque tudo isso é extenso demais. Então só me resta confessar que eu preciso tê-lo perto dos meus olhos, do meu toque, do meu cerne que anseia pelos calafrios que você provoca em minha espinha. É irracional dizer que quero que a eternidade nos abençoe, mas não me importo, que seja irracional então, porque é realmente isso que quero. E quero mesmo que perdure a presença desse seu rosto sonolento, desses seus olhos translúcidos, dessa sua risada aberta, desse seu jeito de ler-me, desse seu abraço apertado, quero tudo isso e quero mais. Porque você é tanto, é muito, é cheio, e eu adoro isso em você.

Ah menino, dizer que o amo é tão banal, mas é verdade meu pequeno Príncipe, eu te amo, e a culpa é inteiramente sua. É culpa dos seus olhos que sempre encontram os meus; culpa do seu riso que tanto me agrada; da sua sobrancelha erguida desconfiadamente; do seu cheiro que fica em minhas roupas; do jeito que você toca em meu cabelo; culpa das vezes em que sussurra ao pé da minha orelha; das suas palavras tênues; dos seus carinhos delicados; da sua barba rala quando encontra a minha pele; das suas piadas que sempre me arrancam gargalhadas; culpa da sua cumplicidade; da despreocupação com o tempo e distância - porque eu sempre soube que esses fatores jamais seriam preocupantes para nós, porque nós sempre fomos muito mais que isso, você sempre foi mais do que isso.
Ah, na primeira vez em que toquei a sua mão eu sabia que a tocaria por muito mais vezes, incontáveis vezes, infinitas vezes.

E hoje, sinto que ainda temos muito tempo para nós. Porque é isso que eu quero, é isso que irei querer, é ver você ao meu lado enquanto caminho, porque eu estarei ao seu, eu estarei para você, e estarei por você. E sobre as manchas de felicidade, quero a tua presença em todas elas, porque você sabe, você cria essa felicidade em mim, essa alegria inexplicável que me faz boba-alegre. Ah meu pequeno Príncipe, você é para mim o único no mundo, e eu eternamente a tua Raposa.


Dedicado a Marcelo Fernando, aquele que me cativou.

4 comentários:

vell disse...

Aê CEEEEEEEEELO ;*

Marcelo" disse...

- eu disse... ELA ME AMA PORRA!... huahuahuahuah... E EU TAMBEM 'AMOELA'...

C. disse...

Em pé aplaudindo você e seu amor.
Quase chorei com esse texto, talvez porque tem épocas vivemos sob a chuva esperando estrelas, e um texto tocante assim, ilumina tanto quanto o brilho de uma.

* Também nao gosto de carnaval ;(

Gabriele Santos disse...

e eu aqui de queixo caído ao ler texto tão belo.
Não em contenho e sorrio sozinha perdida em meus pensamentos e sentimentos. Porque é isto que você transmite: Sentimentos.
você disse tudo que também estar contido aqui em meu peito.
Parabéns.