segunda-feira, 14 de março de 2011

Peripécias do Tempo


Temporal lá fora, temporal cá dentro. Onde foi parar o tempo que perdi? E já faz tanto tempo assim? Já não sei dizer em que tempo responder. Se eu uso o pretérito o tempo já faz birra; resmunga.
Queria um tempo do tempo. Mas o tempo se faz inflexível, não se doa; não se dá. Sei bem, porque tento a todo o tempo.

E hoje o tempo está chuvoso, me trouxe lembranças de um outro tempo. Daquele tempo que estava claro, irradiado pelos raios alaranjados do poente. Foi-se o tempo em que meus pés pequenos corriam pelo mar espumante na areia. Tempo bom, há se era. De tempo mais-que-perfeito.

E esse tempo que não abre? Meus devaneios já estão em outros tempos, e esse temporal ainda quebranta em minha janela.
E agora, desejando que o tempo passe depressa, ele não passa. Vê lá? O relógio ri, brincando de passar devagar. Só porque há tempos que não vejo um rosto de velhos tempos; só porque meu tempo passado disse que encontraria o tempo presente. E faz tempo que espero...
Espera um tempo, alguém bate na porta. É o fim da minha espera no tempo de agora.

7 comentários:

Jaynne Santos disse...

Ah tempo, tão brincalhão com coisas tão sérias não é mesmo?
Coisa engraçada é o tempo, ele passa, fica e continuará a vim sempre, a gente é que se esvai por ele. Vivemos em um determinado momento do tempo, um dia partimos e ele fica, levando consigo o que passou, seguindo em direção ao infinito. Talvez seja por isso que ele tenha o poder de curar, ou de causar a dor. Sua experiência é conjunto de consequências passadas, presenciadas pelo presente e que servirão de exemplo para o futuro.
Mas espera aê? Mesmo em tempos diferentes, não estamos falando unicamento do tempo?
Tão complicado, ele jamais se deixa dominar, tem que ter ar de autoridade. Então, ou você obedece o velho professor ou fica de castigo.
Não se aprende a lidar com o tempo, se aprende a lidar consigo mesmo através do tempo. Você não lida com seu professor, você aprende com ele.
Como sempre Mai, seus textos trazem um encanto subjetivo. Um encanto só seu, mas que atinge um plural inteiro.


Grande beijo.

Rayane disse...

Que agonia fiquei lendo o seu texto, você estava parada no tempo, mas o tempo nunca para para nós, logo estava perdendo tempo, lembrando de quando ele era bom, mas não fazendo nada para que fosse agora. Que alivio quando a bateram na porta...
O tempo voltou a abrir?

rafaela ivo, disse...

Esse tempo resolve brincar, e adora rir da nossa aflição. Parece que quanto mais esperamos algo, mais o tempo demora a passar. É um tempo que massacra, que faz de nossa dor motivo de zombaria. Ainda bem que a espera acabou, ainda bem. Beijão, Maiara!

C. disse...

Os dias na verdade são iguais, todos sabemos. Precisamos na verdade respirar o ar dos novos tempos... sentir as angústias de menos, crescer como ser humano e nos lembrarmos sempre que nunca é tarde para aprender algo nesse tempo.
Muito belo relógio, ele faz lembrar de um bom tempo ;)

Caroline Araújo disse...

O tempo brinca tão jovial apesar das tantas frações de segundos que o compõe,- tão antigo - apesar de tantos sentimentos que o carregam - as vezes tão pesado.
Mai, vir aqui é permitir que o tempo pare dentro de si e que as palavras façam com que se alegre os nossos olhos, ouvidos e boca; Por poderem ver, ouvir e pronunciar o quão bela é a sua escrita.
Os seus textos são impecáveis. Eu sempre elogio tanto a maneira como as palavras dançam no tempo, ao longo da sua escrita, e poucas vezes digo o quanto admiro a sua técnica. Sim, os seus escritos unem em, um só tempo, a beleza única de uma estrutura (e técnica) perfeita com a plenitude dos sentimentos que pulsam.
Querida, saiba que tudo o que digo é de extrema sinceridade.
Grande beijo, Carol.

Joyce C. disse...

Bonito as palavras organizando-se numa dança suave, leve, agradável.
Falando sobre o tempo. Que no tédio caminha de maneira tranquila, e quando nos divertimos corre feito criança arteira.

Que seu tempo se abra num azul bonito.

Maiara, obrigada por seu lindo e sincero comentário. Amei!

Beijos!

Rodolpho Padovani disse...

Eu costumo dizer que o tempo tem seu próprio tempo e isso está além de nossa capacidade de compreensão, pois quando queremos que ele passe depressa, por pirraça ele desacelera, quando queremos aproveitar o máximo, ele passa como um segundo. O tempo é uma coisa relativa, mas a gente sobrevive, haha.
Muito bom o texto.

Beijos.