domingo, 10 de abril de 2011

(Des)marcados


- Cassandra, que surpresa, como você está? Bem, estou apressado agora, mas fique com o meu número, o novo. Vamos marcar alguma coisa qualquer hora dessas.

Foi uma frase casual, num encontro relâmpago armado pelas mãos do acaso que de vez em quando nos prega umas peças que só são engraçadas para ele próprio.
Foi assim, com um tom meio descompassado, um sorriso amarelo, um não-saber onde colocar as mãos, um contrair de lábios. Foi desse jeito que nós nos cumprimentamos. E eu falei que estava ótima, e que as coisas estavam boas para mim. Ele sorriu meio sem jeito, e eu cocei o braço numa postura insegura. Ele encarou o relógio, e eu percebi, estava desesperado para sair dali; estava desesperado para fugir. Eu também me sentia assim, éramos parecidos nesse aspecto, quando estávamos embaraçados, os nós sempre ficavam protuberantes.

Então ele me estendeu o seu cartão, eu aceitei, agradeci pelo novo número. Mas de certo, ele só estava sendo cordial, como em uma daquelas ocasiões em que você encontra um conhecido antigo na rua, diz para ele ligar depois, para marcarem qualquer coisa, mas na verdade pouco se importa. Na realidade, se ele não ligar, não vai fazer diferença alguma. E foi assim que eu me senti ao pegar aquele cartão. Foi assim que eu vi que o novo número fazia parte da vida nova que ele agora tem; uma vida onde a minha presença se faz totalmente dispensável.

No momento da despedida ele me estendeu a mão esquerda, e lá estava ela, o sinal da vida nova. Aquele aro dourado reluzia em seu dedo.
Quando os meus olhos travaram em sua mão ele percebeu; ele notou que eu havia notado o sinal.

Faz pouco tempo. – falou como se pedisse desculpas. E eu sorri, estendendo a minha mão para ele, e eu também percebi quando os olhos deles travaram em meu anel de noivado.

Faz pouco tempo. – desculpei-me de volta. Ele assentiu me oferecendo um sorriso chocho, e se foi. Demos-nos as costas, andamos em direções opostas. Como sempre fizemos. E no lixo próximo eu joguei o novo número dele, já que jamais marcaríamos nada, porque no final, nunca havíamos nos marcado de verdade.

Oi pessoas, bem, gostaria de avisar a vocês que fui convidada pelo Rodolpho para fazer parte do blog Contos Franqueados, nem precisa dizer que isso me deixou super contente não é?! Digo assim mesmo, fiquei super contente, e em breve estarei postando por lá, e aproveito também para convidar a todos os que estão lendo essa mensagem nesse exato momento, a darem uma conferida no conteúdo do blog, vale muito a pena.
Então gente, espero que tenham gostado do texto, apesar de não ter nada de açúcar por aqui hoje, às vezes me pergunto como consigo escrever coisas assim quando o meu estado de espírito está tão leve, e doce, e todo suspiros. (haha). Mas então percebo que eu não preciso estar inserida como personagem nos meus textos para que eles sejam redigidos. Enfim, é isso, Beijos e goiabadas.

17 comentários:

Pedro Menuchelli disse...

É incrivél a forma com a qual você consegue tocar as pessoas com a simplicidade e objetividade de suas palavras. Sempre que venho por aqui, fico parado nessas entrelinhas, considerando cada letra e tentando levar um pouco daqui para o meu dia a dia, pois é mágica a forma com a qual você consegue ver as coisas presentes no seu dia a dia. Em todo caso, também fiquei feliz por saber que você foi convidada para o Blog. Sempre me mande link das postagens, vou ficar mega feliz em poder ler cada texto! De verdade.

Uma ótima semana, um grande beijo!

Júlia disse...

amei seu texto, senti como se eu fosse ela, gostei muito, sua escrita é leve e compreensiva, e o final dá um imenso gosto de quero mais, rsrs
bjinhos ;*
http://amigasentresegredos.blogspot.com/

Elania disse...

Você sabe quando um texto te marca de algum jeito estranho, que o coração acelera, mas sabe que isso não se passou com você, só que mesmo assim, marca a gente. Foi assim com esse texto.
Linda, esta história bem podia ser minha, só que a garota ainda continuaria só, e mesmo só, jogaria o papel com o novo número, como ela fez. É pq, apesar de tudo, sabemos o que era pra ser ou não, mas mesmo assim nos sentimos culpados.

Lindo mesmo Maiara. bjs

. Nadine disse...

Assim com a Elania, meu coração também acelerou. Eles podem até não terem sido marcados um pelo outro, mas suas palavras realmente me marcam. Beijo!

Jéssica Trabuco disse...

Poxa, eu gostei muito do seu texto. A vida tem mesmo mania de brincar com a gente... Nunca consegui entender o que ela quer com essas coisas, vai saber.
E parabéns pelo convite, estou sempre no "Contos Franqueados" :)

rafaela ivo, disse...

Hey Maiara, tem selinho pra ti no meu blog.

E parabéns por entrar no Contos Franqueados õ/

Gabriela Freitas disse...

Já sigo desde que fiz o blog, mas acho que é a primeira vez que paro por aqui e foi sem querer, veja só...
Menina que palavras, que intensidade, muito bom mesmo! Olha vou voltar muitas vezes.
Seu lay tambem é lindo.

Joyce C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joyce C. disse...

Ambos seguiram em frente.
É preciso fazer desse jeito.
Eu amei o texto. O que não é novidade, pois gosto demais da tua escrita. Tua arte! É belo!

Beijos, Maiara!

Jaya Magalhães disse...

Maiara,

Eu acho que se marcaram, sim. De uma forma ou de outra, toda pessoa marca a gente. É impossível duas almas saírem iguais depois de qualquer encontro com outra. E nesse caso, pelo que senti dos personagens, existiu algo a mais. E foi dividido. Desculpas nem seriam necessárias se não fosse assim, né?

Haha. Eu e minha mania de me enfiar nos contos e sair achando coisas. Mas sabe o que isso? Isso é o que a gente faz quando encontra letras bem escritas como as tuas. A gente vive as palavras.

No fim eu lembrei disso: "a gente ria tanto desses nossos desencontros, mas você passou do ponto e agora eu já não sei mais".

Um beijo, moça.

P.S.: Sinta-se sempre em casa quando aparecer por lá. Tem espaço pra todo mundo. Fica mais. Toma um suco.

Yohana SanFer disse...

Às vezes, só pelos detalhes, expectativas nos tomam por inteiro...gostei do conto!
E parabens pelo convite e prestígio, isso mostra como encanta!
Mais talento e sucesso pra vc! bjs

Suzi Lima disse...

E ela descobre que ele está casado u.u

Monique Premazzi disse...

Eu acho que eu ficaria parada que nem uma tonta, se eu visse alguém que um dia foi algo para mim na rua depois de tanto tempo. Ainda mais se eu visse uma aliança na mão dessa pessoa, acho que eu ia querer sair correndo dali e nunca mais me lembrar desse dia.
Amo o jeito como você descreve as coisas de um jeito tão simples e maravilhoso. Senti saudades nesses 4 dias, parece que foram décadas!
Beijinhos e não se esqueça de postar aqui também depois que entrar pra equipe do Rodolpho, ein? RÃM

Se cuida s2

C. disse...

O teu texto tá muito bom, como sempre, Maiara, e nos dá a sensação de sermos o protagonista.
Particularmente acho o maior gasto de energias se sentir perturbada com um encontro desses, embora, claro, traga à tona certos sentimentos e que por vezes ainda incomodam. Fora isso, a vida segue, nem sempre o final da história é com aquela determinada pessoa, e uma pessoa que um dia dividimos o coração, deveria ser alguém eterno para sempre, e de resto sobrar pelo menos uma amizade.

Eu sei e entendo como é difícil e o tempo é curto na correria do dia a dia, se sinta livre para aparecer quando quiser, e puder.
Mesmo assim, você demonstra amor pela escrita, porque mesmo com o tempo corrido, ingressa numa nova experiência blogueira. Seja feliz lá, é uma galera que escreve muito bem.

Beijinhos de cá,
Cris

Jaynne Santos disse...

Mai, simplesmente incrível. Essa foi uma das suas estórias que mais me pegou de jeito. As palavras chegam simples, mas quando adentram para o nosso subjetivo nos convida para uma valsa lenta e delicada. Às vezes, danço tango aqui com elas, com letras quentes.
Bem, o que mais posso dizer? Suas palavras já dizem tudo por si só!

Grande beijo;

Forum Celular espiao disse...

Gostei muito deste site e por isso resolvi colocar uma mensagem para conhecimento de todos. Já existe uma maneira de se fazer grampo de celular. Chama-se telefone espião. Você pode encontrar no site www.celularespiao.net

Dinaildes Moura disse...

Poxa...a vida tem dessas coisas!
Cheia de encontros e desencontros!
Texto bem escrito!
Gostei daqui e voltarei!

Beijos!
;)