quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eterna sinfonia silenciosa

Pela Luz Dos Olhos Teus - Tom Jobim

Hoje eu só quero o harmônico confronto
Das íris que propositalmente se encontram
Dialogam no silêncio sincrônico
Na presença do sentimento eufônico

E no tempo em que o nós se faz presente
A saudade escapa da mente.
Mas as horas correm de repente
E o céu já esconde o poente
Anunciando a despedida da gente

Nos olhos que ritmicamente se enlaçam
As palavras reverberam-se nos traços
Invisíveis e intangíveis notas cifradas
Composição que pelo silêncio é atuada

A lógica anuncia a sua ausência
Quando as almas dividem da mesma essência
A saudade mostra então a sua eminência
E a distância não demonstra condolência

Um pedido de não-adeus emerge dos olhos expressivos
Enquanto a noite veste-se em seu melhor vestido
O concerto se transforma melancólico e inaudível
Quando o encaixe das mãos mostra-se inacessível

Então a música silenciosa desce um tom
E a falta eminente assume o dom
Mas a esperança do reencontro logo se refaz
Cobrindo os olhos com um brilho tenaz
Só para ouvir uma vez mais
A música que o silêncio faz.


33ª Edição poemas - Bloínquês

16 comentários:

Bia Oliveira disse...

Nossa Maiara, que lindo. Sério.
Eu li uma só vez e já senti um turbilhão de emoções. E cada uma das vezes que reli pude perceber algo mais.
Sou apaixonada por poemas, e fico impressionada com quem tem a capacidade de criá-los.

Ficou muito lindo, de verdade. Se encaixou com perfeição ao tema, aos sentimentos nostálgicos de dois amantes.
Parabéns.

E chega de rasgação de ceda, né? Mas é que eu li sem maiores pretenções e me surpreendi muito ao final. Enfim, muito obrigada pelo carinho no Insônia e por seus comentários inteligentes. São esses que me fazem querer continuar mostrando o que escrevo.

Beijo grande.

Thiago disse...

Não existem som melhor que o silêncio!

Pamela Dal'Alva? disse...

nossa q lindo .. nao consigo faezr poema. mas antigamete achava q tinh q rimar . mas nao é necessario sr

César Dias. disse...

Maiara, que coisa mais linda, quanto sentimento, quanta emoção, fiquei muito feliz, quando li, você mostrou ritmo, essência. Parabéns.
Tem novidade no meu espaço

http://freesante.blogspot.com/

beijos.

Jéssica Trabuco disse...

E tem gente que acha que o silêncio não faz som. É o som mais fácil e mais importante de se ouvir, basta querer.
Ótimo poema querida!

Monique Premazzi disse...

Que poema lindo, Mai! Falar de saudades e amor ao mesmo tempo é muito comum, ainda mais que só quem ama sabe o quanto é difícil ficar muito tempo longe da outra pessoa, mas o que nos faz acalmar é saber que logo estara novamente com aquela pessoa.
Beijinhos, se cuida s2

C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
C. disse...

Você descreveu tao bem, junto com essa música (bela escolha), o que é esse momento do ir, mas logo voltando... lindo!

# Beijos florzinha!

blakhorshed disse...

O amor é assim ... Alguma vez certeza, harmônico, musicalmente beleza, e poeticamente melancolia.
Ainda assim; é amor, alguma vez.

Beijo teu coração, acarinhador.

vell disse...

Você tem um jeito tão unico de escrever baixinha. Sabe que eu amo né? Rs, beeijos

Jaynne Santos disse...

Mai, sinto muito pela minha ausência. Realmente está sendo muito dificil conciliar trabalho, faculdade e blog. Mas, como boa brasileira, não desistirei de passar pelos blogs que mais admiro. O seu estar entre eles, por isso, vez ou outra estarei por aqui, lendo o máximo de contos e poemas que eu conseguir.
Esse seu poema Mai, como sempre encantou.

Grande beijo.

Mayara disse...

Que dizer... É o amor né?
Lindo Mai.

joshuatree disse...

Cantado assim, o amor que sentes e, do qual falas; me parece menos dolorido.
Teu poema, reclama dessa previsibilidade de todo o amor que parece ter sempre a condição de finito.
Eu concordo, porque não sei do amor, mais; do que, eu vejo e acredito.

Um abraço.

Sabrina Torres disse...

- Despedidas nunca são boas, principalmente quando são de amor. Deve magoar demais saber que quem você ama não vai estar mais do seu lado.
Que lindo poema Mai :)

Minne disse...

Ouvir o silêncio é tão contraditório, ao menos para mim, pode transmitir solidão tanto quanto calma ou paz dependendo da situação, do momento.
Acho incríveis esses teu poemas, posso sentir sensações diferentes a cada linha, isso é incrível, ao menos eu acho. Pouco me atrevo a escrever poemas ou poesias, mas elas não são tão boas assim. Maravilhoso !

Bell Souza disse...

Ortografia: Mai, cuidado com a falta ou o pouco uso da pontuação. Você pode fazer ser melhor entendida encontrando o equilíbrio entre seu objetivo/autenticidade e a regra gramatical. Eu vou apontar alguns termos que soariam melhor com determinada pontuação: “Da íris que propositalmente se encontram; dialogam no silêncio sincrônico, na presença de sentimento eufórico (mas a vírgula depois do “sincrônico” é dispensável, ou pode ser substituída por um ponto, por exemplo) [...] reverberam nos traços. Invisíveis e intangíveis notas cifradas. [...]" A pontuação para encerrar uma estrofe, levando em consideração o ritmo e fluidez das suas palavras, não se faz necessária.
Na quarta estrofe, a colocação correta seria “Quando as almas dividem ‘a’ mesma essência”, mas se o sentido for de que as duas almas são oriundas da mesma essência será necessário reescrever toda a frase. E na quinta estrofe o termo ficaria melhor assim: “Enquanto a noite veste-se ‘de’ (ou ‘do’) seu melhor vestido.”
Rima: O uso da pontuação que eu citei faria diferença ao poema, mesmo que sutil a outros olhos. Portanto, necessário ao sentido.
{Esperado que você tenha entendido meus pontos de vistas :)}
Att, Moderação Poemas.