sexta-feira, 13 de maio de 2011

Noturna - Parte final


Hoje, ainda com essas lembranças que jamais me abandonam, lembro do amor que eu matei naquele quarto enquanto as minhas palavras preenchiam o papel com uma mancha de lágrima. O amor não foi morto de verdade, ele foi ignorado por um tempo que não sei dizer, mas o maldito ainda pulsa em algum lugar noturno aqui por dentro. E disso o homem misterioso nunca vai saber.
Sinto a minha lâmina em meu corpo, e uma nostalgia me invade como todos os dias, mas eu já aprendi tão bem a guardar-me, fechar-me para essas fraquezas, e já não faz diferença. Aquela definitivamente foi a primeira vez que eu falhei; a primeira e a última.

Meus saltos altos tilintam pelo chão xadrez, apenas tocando os pisos escuros. “Noite, noite, noite.” – repito mentalmente como um ritual. Ao longe vejo um homem gordo que já busca o seu gatilho, me divirto enquanto ele me subestima. Lanço a lâmina em seu pescoço, lá ela encaixa-se perfeitamente fazendo o sangue borrar o piso que tanto me agrada.
“Bons sonhos”. – sussurro quando me aproximo de sua agonia. Levo comigo a sua arma, e um colar com o meu nome gravado nele. Dentro uma foto da mulher que eu havia caçado por algum tempo; a mulher que me abrigou em seu útero por oito meses e meio. Confesso que ela não soube fazer boas escolhas em relação aos homens com os quais se envolvia, e hoje preciso ficar vagando por aí enquanto limpo a sua sujeira. O único homem digno de verdade ela abandonou, era o meu pai, talvez pelo mesmo motivo pelo qual eu abandonei aquele que se parecia tão bem comigo. Talvez eu seja exatamente como ela, talvez ela apenas tivesse medo de ser fraca com o meu pai, e de uma forma ou de outra o amor deles duraram mais do que deveria, pelo contrário estariam vivos até hoje, ou não, mas os motivos de suas mortes seriam outros. Eu seria outra, e isso, bem, disso eu não estou disposta a abrir mão. Porque eu sou noturna, e sou sozinha.

Fim

Olá pessoas. Depois de dois dias esperando o blogger sair da TPM, estou aqui agora postando a última parte do conto. E ainda bem, porque postar contos é meio trabalhoso, mas está aí o final, digam-me o que acharam. Ah, e acabei de postar também no Contos Franqueados, caso queira dar uma conferida, é só clicar aqui. Forte abraço.

5 comentários:

Luria Corrêa . disse...

Esperei a última parte para comentar. O que você narrou, é uma cena que passa constantemente na minha cabeça, como em filmes. Parabéns, adorei o conto.

Beijo

Jaynne Santos disse...

Grande final. Eu diria que completo, mesmo causando o vazio que se sente depois de terminada uma estória que me prendeu. Sinto-me satisfeita, completa pelas palavras, vazia pela finidade concreta, completa pela infinade abstrata.
Simplesmente um conto digno de ser chamado pelo mesmo.

Grande beijo.

Bea Santos disse...

Oi no meu blog ta rolando uma promoção queria que você participasse
http://deduas-uma.blogspot.com/2011/05/seu-blog-no-meu-4.html

Mero Esmero disse...

Parabéns pela confecção de Noturna em sua totalidade. Eis aí uma visão contemporânea de como a noite pode ser vista e sentida muito além do período do dia o qual a compreende.
Bom notar que a literatura está salva e anda de mãos dadas com os escritores da nova geração como você.

Forte e longo abraço.

Suzi Lima disse...

U_____U

Nem acompanhei esse conto e..ele já acabou...

também fiquei chateada com o Blogger naquele dia...