quinta-feira, 21 de julho de 2011

Não enviadas


Abre a gaveta como quem não quer nada
E lá dentro se inquietam as cartas não enviadas
Queria dizer que foi por falta de destinatário;
Coisa de horário, contratempos do itinerário.

Mas no fundo sabe que não,
Foi questão de opção,
Pois andou na contramão
Em que vinha o coração

E a coragem que faltou
Ao arrependimento se apegou,
Fazendo das lamúrias do talvez
O tudo que sobrou

Agora olha as velhas cartas...
Caligrafia quase intacta
Do sentimento que maltrata

E o se vem despertar
Aquela vontade de perguntar:
Se enviasse, onde deveria de estar?

Pura maldade da dúvida tenaz,
Das controvérsias de coisas reais
Que invertem mentiras banais,
 Até encostar-se à verdade que se retrai

E a relutância que ainda verte
A mesma mão que cartas tecem,
Faz a gaveta fechar novamente
Ludibriando aquele músculo quase dormente...


49ª Edição Poemas - Proj. Bloínquês

8 comentários:

Jaynne Santos disse...

Que ritmo mais delirantemente perfeito.
Cada palavra parecia já ter nascido ali, mas ao mesmo tempo parecia ter sido jogada despretensiosamente. Combinação contraditória que forma um par bem encaixado, bem desenvolvido, definitivamente encantado!

O que mais posso dizer? Além dessas emoções que procurei transcrever em palavras?
Você é poetiza a dançar com cada letra graciosamente escolhida; De verdade...

Grande beijo.

[Comentei como havia avisado no post anterior!]

. Nadine disse...

Eu não sei o que dizer. Você me rouba todas as palavras que eu penso, pra descrever meus sentimentos ao ler as coisas que tu escreve. É simplesmente perfeito, é um doce de encatamento. Parabéns!
Beijos. :*

Pedro Menuchelli disse...

Mai,
De certo modo, as cartas não enviadas fazem parte da nossa vida de uma maneira muito forte. Por menos que imaginamos, tem poder imenso dentro de nós porque acabam despertando a curiosidade de como poderia ter sido se tivessemos as enviado. Hoje em dia, as cartas não enviadas apenas correspondem a um medo que todos nós temos, uns mais e outros menos, porém, interage com o nosso cotidiano fortemente.

Na maioria das vezes, deixamos o medo de fazer as coisas falar mais alto e esse é um de nossos maiores defeitos. Se tudo fosse mais fácil, se houvessem menos decepções, talvez nos doaríamos mais, faríamos mais por quem amamos e deixaríamos tudo o que nos dá medo ou receio de lado. Mas isso não é possível. O medo, direta ou indiretamente acaba fazendo parte da nossa vida, do nosso dia a dia e muitas vezes nem percebemos isso.

Em todo caso, adorei a forma que você se expressou. A poesia nunca foi um dos meus fortes, mas fico extremamente feliz em poder ler uma com tamanha qualidade e objetividade como a sua. Além dos seus textos maravilhosos, você consegue transparecer a beleza de sua escrita através de uma poesia que me deixa sem palavras pois abre uma imensa lacuna de pensamentos na minha cabeça. Adoro a forma que você escreve e a maneira que demonstra tudo aquilo que sente. Me sinto lisonjeado com seus comentários. Muito obrigado por me deixar tão bem!

Um grande beijo e uma ótima semana. De seu amigo e leitor,
Pedro

Jonas Gonçalves disse...

E nestas cartas devem estar escritas as palavras mais sinceras e delicadas que se pode imaginar. E que demonstra o seu sentimento para o suposto destinatário, que agora fica distante do outro provocando saudades à este.

Lindo texto, adoro quando você descreve seus sentimentos neste blog, em poemas ou textos sinceros :*

C. disse...

É contraditório, mas as cartas nao enviadas, sao as que mais queremos enviar, nelas contém toda a verdade dita que muitas pessoas nao estao preparadas pra ler.

Saudades daqui Mai, ando atrapalhada em responder coments, desculpe a demora.

Sirlara Wandenkolk disse...

Mari, quanto tempo não vinha aqui.
Quanto ao post, adorável, fez eu voltar para o tempo que eu escrevia cartas tbm, às vezes sem remetentes, sem assunto ^^ só sabia que tinha algo para falar, mas exatamente o que eu nã sei.. rsrs

Beijo =]

http://e-raumavez.blogspot.com

Deyse Sales disse...

Que lindo!

Bell Souza disse...

Oi Mai;
Diante desse poema o que eu posso falar?
Gramaticalmente ele está impecável, possui um ritmo e uma leveza que só mentes brilhantes conseguem tecer.
O tema, acredito, será o mais difícil de julgar.
Bem, você não precisa da minha avaliação shuahsua. Beijos
Moderação Poemas - Bloínquês.