quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Filha da Eternidade


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* Ao som de Marcelo Camelo - Vermelho

Me diz por que o Sol sempre vai e sempre volta. Me diz por que a insistência dos dias já não se importa com o tempo, já que o Sol proclamou o seu sono aqui quando acordou lá do outro lado. Então me diz, o Sol não descansa, e nasce como todos os dias. Me diz que depois da tempestade ele vai estar lá. Diz não, eu sei bem. Ele sempre está.

Às vezes eu só quero poder desacreditar no reflexo imperfeito desse meu rosto de sempre. E desenho na superfície embaçada do espelho aquele sorriso curvado. Coisa de menina que gosta de ver tudo sorrir; coisa mais que minha.

Deixa a tarde chegar. As nuvens gostam de se pintar de vermelho. 
Já viu como as aves retornam? E é tão bom voltar, o passado nunca passou de verdade. A sua história é tão real quanto a lembrança dos seus pés descalços que correram um dia despreocupados pelas ruas cheias de risadas infantis. Ah, deixe que essa saudade invada, ela nunca precisou de permissão, então a deixe livre porque ela há de te alcançar. Deixe o lado escuro do passado passar, isso de ser fácil é lirismo caprichoso, mas como o Sol, quem caiu há de se levantar.

E você que me puxa pela mão, fique aqui, sempre aqui. A necessidade de te ter é como a necessidade dos sorrisos sinceros. E não deixe a parte doce do passado passar, porque eu não deixo, e vejo no futuro aquele nós vivendo assim, todo plural de dois que se fez um; todo plural singular.

O Sol está se pondo outra vez, vivendo nessa eternidade de ser quem se é. Iluminando os rostos dos povos que se movem; dançando com a luz de outros tantos. E é assim que tem de ser, bem assim. 

7 comentários:

Mero Esmero disse...

Profundamente emocionado ao ler essas palavras (olhos marejados). Como é lindo notar que a sensibilidade, embora rara, está viva e pulsa no coração e alma de pessoas como você. Sim, é possível ainda esbarrar com a comoção... não a gratuita e sem sentido, mas aquela plenamente justificada, capaz de fazer brotar água e sal dos olhos, ao fim de um dia com seu poente.

Fraterno Abraço!

Jaynne Santos disse...

E deixe ser assim... Dessa forma meiga, cativante, envolvente. Uma forma única e vital que te molda como poeta, amante das palavras, como pessoa.
Deixe que leve, que desenhe... Sim, desenhe palavras soltas, uma arte mística de encantar olhos, ouvidos e bocas. Deixe que desenhe a melodia, e esse seu canto permaneça, como Arte, como vida, como pertencente a um ser chamado: Maiara Bonfim!

Beijos, querida Mai.

Luna Sanchez disse...

É verdade, saudade chega e invade, não pede licença.

Um beijo.

Ninha disse...

Suas palavras me deixaram tão nostálgica.
E que escrita bonita que você possui, moça. Incrível como consegues achar a palavra certa para descrever cada ocasião. Incrível mesmo, quase inacreditável.
Voltarei mais vezes. :3

Jhenyffer Andrade disse...

No fim de tudo ele vai estar lá..
Abraços.

Déborah Arruda. disse...

O sol e um pouco da luz que ele emana, é o que sempre está lá no fim de tudo.
Adoro essa música.

Ewerton[Thon] disse...

Lindo lindo lindo!!!
"Ah, deixe que essa saudade invada, ela nunca precisou de permissão, então a deixe livre porque ela há de te alcançar. Deixe o lado escuro do passado passar, isso de ser fácil é lirismo caprichoso, mas como o Sol, quem caiu há de se levantar. ".

Gostei bastante dessa parte. Há momentos que nos rendemos aos momentos tristes do passado mas assim como a saudade, a tristeza passa e nos levantamos para enxergar novamente o pôr-do-sol.