terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pedaços de desabafo



Tenho andado por caminhos aos quais me privam disso aqui. Sinto saudades extremas e doídas de me dedicar a mim mesma. E digo a mim, pois isso aqui também sou eu, aliás, isso aqui tem muito do meu eu que anda embaraçado dentro de tantas ocupações.
E eu estou prestes a derramar, pelo menos tenho essa sensação latente. Há tantas palavras acumuladas que essas linhas apenas são pedaços de desabafo.

Sei que a culpa é inteiramente minha, já que as escolhas me cabem, e quem as toma sou eu e mais ninguém. Embora não seja tão fácil quanto pareça ser, nem tão poético como condiz, mas de todo o modo, sinto falta de me encontrar como antes. E tenho a leve impressão que fiquei em alguma estação de trem, parada, esperando aquele trem atrasado, e quando ele rosnou um suspiro de chegada cansada, eu não desci, e me decepcionei por em tantos rostos o meu não estar. É complexo, sei bem. Mas o que pretendo com isso, é dizer que há algum tempo tenho andado com as minhas mãos palpáveis separadas das líricas que entrelaçavam palavras boas de traçar.

E por fim, assim sem fim, só desejo que nenhuma tentativa seja vã, que eu derrame sim, devagar; aos poucos. E que eu consiga transcrever sentimentos do mesmo jeito que antes, e se não for assim, não tem muita importância. O que preciso é apenas escrever com a mesma paixão e o mesmo brilho. E encontrar o meu rosto bordado em palavras no próximo trem. 

5 comentários:

Mero Esmero disse...

Isso aqui é sua essência, portanto, não te preocupes ou lamentes, pois a paixão é algo latente em ti. O Brilho também. Esteja certa - na hora do transbordar - eles se manifestarão de uma forma sensível e única a qual só mesmo seus escritos podem trazer.

Fraterno Abraço
Beijo Terno!

Jaynne Santos disse...

Mai, já tive e vez em quando continuo tendo, essa mesma sensação. Como se a rotina nos levasse de nós mesmas... Sugando lentamente tudo o que antes transbordávamos com facilidade. As palavras parecem não oferecer os mesmos significados, as mesmas essências.
Mas, vira-volta eu percebo que aconteça o que acontecer, dure o período que durar, sempre vamos transbordar... Porque isso, ao contrário do que muitos pensam, é mais que um dom, é razão de existência, necessidade de alma, de ser...

Saudades enorme daqui.
Grande beijo e volto assim que puder!

Nayara disse...

Sabe, me sinto assim também, distante de mim mesma, das palavras que me preenchiam e que hoje eu já não sei quais são, me sinto perdida. E a única coisa que me aproximava de mim mesma, a escrita, parece se distanciar cada vez mais. Espero que seja só uma fase, e que eu encontre-me novamente em cada palavra, em cada frase sem sentido que surpreendentemente faz muito sentido.

Adorei o texto, fez-me refletir muito.

Pedro Menuchelli disse...

Mai,
Eu queria acima de tudo dizer que eu senti e ainda sinto muita falta dos seus textos. Todos eles são capazes de me fazer entrar em uma reflexão unica, na qual, posso ser um pouco melhor a cada dia que passa. Espero que mesmo que distante, esse dom não suma de você. Tente, de alguma forma, ainda mantê-lo vivo.

Tudo o que eu mais gostaria era de ter tempo pra tudo que quero fazer. Pena que nem sempre isso é possível. As vezes, me perco em tantas problemáticas e acabo por perder noção do que está acontecendo. Mas, como você mesma disse: "tudo é uma questão de escolha". Escolhas que, por mais dificeis que sejam hoje, mais tarde trarão bons frutos. É só acreditar.

Espero que não demore a voltar.
Um grande beijo, tenho muito orgulho de te ler!
Com carinho,
Pedro

J. Ríos disse...

Não te preocupes, tens o dom das palavras...E os sentimentos que buscas, almejas, são exatamente encaixados nelas!Continue assim...

Abraços

psrecuerdame.blogspot.com