quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Aos iguais de coração


A vontade da certeza de entender perguntas vãs se desfez no momento que passou a sentir. Os pés descalços, a grama entre os dedos, o vento nos cachos meio emaranhados, os olhos grudados no céu limpo de um Verão bonito, os dedos que contornavam o formato das nuvens preguiçosas que enfeitavam a imensidão azul.

E ela entendeu que o tempo descansa nesses momentos singulares, momentos que dão sentido ao sentir que emana dos detalhes, pequenos, amenos, quase imperceptíveis, mas no fundo, cheios de fundo, meio sem rumo encontram um lugar no extremo de cada canto - recanto para o encanto que nos habita.

Há de haver muito mais entre os iguais de coração. Nada foi feito para durar - foi o que ouvir falar. Mas a verdade é que tudo o que realmente importa se eterniza ao seu modo, quem define o tempo somos nós, que achamos que somos escravos desses ponteiros desvairados, que com pressa nos atingem sem maiores explicações, mas cabe a nós encher o peito de paz, seguir aquele caminho cujos olhos brilham mais. E no mais, fica tudo assim, com jeito intrínseco de tocar a vida.  

8 comentários:

Luna Sanchez disse...

Aí é que está : as coisas não são eternas por si mas podem ser em nós. Temos o conhecimento da alquimia, temos esse poder.

Lindo post.

Um beijo.

Mero Esmero disse...

Fico muito feliz em notar que o lirismo ainda respira por espaços como esse. Bem aventurada seja a sensibilidade que ao aflorar a faz valorizar o pormenor, o detalhe - o qual faz toda diferença.

Fraterno Abraço!
Beijo Terno!

Mero Esmero disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jhenyffer Andrade disse...

Viver é um desafio. cabe a cada um encontrar a sua paz, no caminho.
Abraços.

Iasmin Cruz disse...

Oi boa noite.
Vim lhe fazer uma visita e fazer um convite:
http://iasmincruz.blogspot.com/2011/09/perguntem.html

Jaya Magalhães disse...

Sabe, por uns momentos fotografei o texto. Acabou e eu quis vivê-lo. Eu ando precisada de momentos singulares. Ando precisando que o tempo descanse.

Até o para sempre tem o seu tempo, não é mesmo?

Deixa eu ir ali tocar a minha vida. Espero não desafinar tanto assim.

Beijo, moça.

Minne disse...

E somos nós quem temos de saber intensificar ou amenizar certas situações, somente porque são únicas, porque não se vive duas vezes, ao menos não no mesmo corpo e mente, não com as mesmas pessoas e pensamentos. Cabe a nós saber diferenciar o verdadeiro do falso, ou pelo menos tentar fazê-lo. Aquele velho "Carpe Diem" sempre cai bem, só nos basta ouví-lo.

Laura K. disse...

O que faz as coisas duráveis são as lembranças tão-somente.