sábado, 29 de outubro de 2011

Um frio que suplica um aconchego



Eu poderia falar do tempo que não sabe em que estação quer firmar-se; poderia gastar horas descrevendo as cores do céu indeciso de fim de tarde; poderia falar da saudade sonolenta que a brisa tranquila deixa a cada toque delicado; poderia até lhe escrever uma carta piegas, falando do quanto eu gosto de gostar de você. E posso tudo isso, porque poder é verbo bonito de se conjugar.

E quando eu paro um pouco só para suspirar entre um pensamento e outro, vejo que às vezes tudo pode ser de um jeito não esperado, ou até esperado secretamente, porque tenho essa mania esquisita, sabe? De imaginar-me velha como aquela senhora que admiro sorrindo para o senhor ao seu lado, que sorri de volta cordialmente e os olhos brilham, de ambos. Eu poderia ser menos descrente de tudo, sei bem, mas não sou, mesmo que o mundo ande tão assim, meio torto. Mas não culpo o mundo não, no fundo são as pessoas que enchem o peito de vazio só para ouvir a própria dor ecoar por seus cantos.

Bem, as coisas são assim, não é mesmo? Dizemos isso o tempo todo tentando nos fazer entrar num conformismo morno de quem não vê mais jeito para o mundo. Mas dentro de cada ser tem um espaço esperançoso que rege todas as outras coisas guiadas pela vontade do querer; do poder. E tudo vai fluindo bem desse modo, implorando olhos para denotar seus detalhes que devotadamente fazem orações ao tempo para não os deixar passar rápido demais, pois precisam ser notados; precisam ser descobertos para mostrar que tudo pode ter sim um pouco mais de magia; um pouco mais de amor para encher os peitos, os estômagos, os poros de cada ser pulsante.

3 comentários:

Mero Esmero disse...

Bela forma de se 'cronificar' sentimentos universais e intensos. As palavras escritas por ti tem um quê de leveza e surpresa a cada linha e entrelinha impressa e lida em sua alma e aqui transcrita. Fantástica maneira de inebriar cada um de seus leitores nas esquinas de cada sentimento tão pleno nesse texto.

Beijo terno e fraterno Abraço!

Eppifania disse...

Sabe, que saudade eu tive de passar pelo Entrelinhas. Seus textos me acalma, e esse não contrário. Senti como um desabafo sento exposto, um momento que era apenas seu e de suas palavras. Me inquietou e me relaxou. Sempre uma mistura, mas o sabor sempre é surpreendente. Se cuida, Mai.

ϟ Cynthia Brito disse...

Mai querida, obrigada pelo seu carinho. Adorei te encontrar no Flores!!! E vir aqui me aconchegar em suas palavras é sempre um bem pra mim.
Beijos.