segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Conversas aleatórias

Há quem se ocupe sem culpa de julgar-se verdade; há gente batendo em minha porta e me perguntando se sei quando o mundo vai acabar.
– Sei não, minha senhora. Mas deveríamos fazer as malas, caso acabe amanhã, quero ter mudas de roupas extras, sabe?
- Não brinque com o sarcasmo, menina! – a voz de dentro profere silenciosamente. E quando olho para o rosto da mulher, assustado pela resposta torta, sinto pena.
- Bem, o mundo acaba todos os dias, vai até a esquina da rua e vê aquele comendo lixo como se fosse cão sarnento, aquilo é o fim, você é que nunca percebeu.
O seu olhar cai sobre as mãos, não diz mais nenhuma palavra, e sai andando pela rua. Diante da esquina pára, e volta a andar em seguia sem olhar pra trás.

Um comentário:

Mero Esmero disse...

Muito conscientes e oportunas suas palavras. Já passa da hora de pensarmos na entrelinha sugerida pela palavra exclusão. Dizem que a palavra da moda é justamente o antônimo da primeira - inclusão. Mas... exclusão acontece todo dia. E não é moda. É fato. É hábito. Mesmo sendo algo extremamente condenável. Isso é realmente o fim do mundo.

Fraterno Abraço!
Beijo Terno!