quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sem condições ou questionamento


Novembro e sua chuva insistente que parece não ter mais vontade de findar. Venho acordando no meio do dia com esperança pequena de encontrar o Sol bradando em minha janela ainda fechada, mas o que ouço é aquele barulhinho de chuva raspando o telhado. É agradável sim, mas por longos dias consecutivos se tornou um leve desespero, carência extrema pelo calor do Sol e dos seus braços. E quando abro a janela, aquele vento úmido encosta em meu rosto fazendo os pelos eriçarem, e tudo está muito molhado, muito não-Bahia.
O Inverno é bom no Inverno, mas sou seletiva e muito organizada do meu jeito, sinto saudades da Primavera na Primavera, por mais que aqui sempre pareça Verão, ainda assim dá pra ver flores salpicando um lugarzinho aqui e ali, aqueles pássaros barulhentos se enlaçando lá no alto, o vento fresco brincando de agitar cabelos por aí, mas tudo está muito cinza, essas nuvens chumbadas se fizeram tão inflexíveis que meus olhos estão cansados de olhá-las, talvez se eu as ignorar por um tempo elas resolvam passar de vergonha. E embora isso seja apenas um vago devaneio mais ilusório que poético, nesse momento elas estão reclamando, fazendo a água bater com força em meu telhado pra mostrar resistência e dizer que horário de verão coisa nenhuma, é horário de observar que quem define o tempo não somos nós, na verdade, somos todos submissos a ele, sem condições ou questionamento. 

9 comentários:

Cissa Romeu disse...

Maiara, tudo bem?
Excelente texto! De caráter intimista, muito bem-escrito, com reflexões profundas, muito envolvente!

Te agradeço por estar seguindo meu blog, estou seguindo aqui também, claro! Um espaço muito bom, e com visual delicado. Parabéns!

Beijos e ótimos dias :)

Wanderly Frota disse...

Que cada estação nos traga alívio a alma. É bom quando o tempo muda e nós mudamos com ele, seguimos o mesmo ritmo.
Adorei o texto.
Beijinhos :D

Melissa. disse...

Olá Maiara, tudo bem? Belo blog!

Venha conhecer o meu, talvez você curta... Estou começando agora!

Um beijo, Mel.

Bia Oliveira disse...

Que lindo texto, Maiara. Você me impressiona com essa capacidade de explicar fatos tão cotidianos e incomodos tão simples com palavras e expressões tão bonitas.
Estava com saudades de passar aqui. Tenho sentido essa necessidade enorme de ler e engolir tudo que tenho deixado de lado por um tempo.
Aqui também faz frio, frio demais, até. Eu gostava do tom melancólico que ele dava, até ficar afundada nele por mais de 2 meses sem trégua.. agora cansei. Vontade de sair de casa sem dever blusas e guarda-chuvas para ninguém.
Enfim, não vou eu aqui devanear, né?

Beijos, querida. Que a chuva aí passe, porque aqui o outono só começou.

:*

. Nadine disse...

Que a chuva cesse um pouco, e o sol te leve mais cores. Um belo texto, como todos os outros. Também te devo desculpas pela ausência. Um beijo.

Suzi disse...

Novembro,chuva...Esse conto é bem triste. principalmente, por se tratar dessa época do ano: outono

Jéssica F. disse...

É, não importa se gostamos ou não, o tempo é que controla a gente. O que resta é aceitar e esperar que com isso ele nos faça um "agradinho".
bjs bom final de semana :*

Mero Esmero disse...

Minha submissão ao tempo me enclausura numa espécie de bolha atemporal de onde posso ver, apreciar cada metáfora aqui colocada com muita gana e garra de viver. Sensibilidade e força em doces doses certas e estimulantes para sair de um invisível, mas... 'vencível' casulo o qual vez em quando nos aprisiona.

Fraterno Abraço!

Giovanna Cóppola disse...

Maiara, fiquei impressionada com o texto, não só pela doçura das palavras, mas principalmente por eu ter escrito algo parecido com isso hoje mesmo. Parece que o inverno e a chuva não incomodam só a mim. Beijo!