sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Saudade mesmo é se importar

Pervinca: Boas lembranças.

Sou densa e nostálgica. Alguém que não desamarra os laços com o passado. Vivo em constante saudade, o tempo inteiro, sem intervalos.

Outro dia eu estava revirando fotografias antigas, do antigo colégio.  Aqueles rostos que já não vejo há tempos, não me fazem falta. Às vezes encontro alguns na rua; às vezes trocamos telefones, mas nenhuma das partes tem a intenção de ligar, muito menos marcar alguma coisa. Quando queremos marcar alguma coisa, simplesmente marcamos, não anunciamos: "Vamos marcar alguma coisa."

Sou profundamente nostálgica, mas a minha saudade é urgente, e tem a necessidade de se apagar para acender mais forte no dia seguinte. A minha saudade não tem cheiro de mofo, ou naftalina em roupa guardada, tem cheiro de brisa amena, chuva torrente, perfume de flor, e sombra fresca. A minha saudade se veste de estações para se deitar em meu peito. Quando reviro fotografias antigas não sinto falta das pessoas que já não me comunico há tempos, sinto falta dos cheiros, das texturas e sons. São os momentos que me enchem de saudade velha, só eles. Porque a falta que sinto das pessoas cabe numa saudade urgente, dessas que faço questão de diminuir para aumentar em seguida. Das pessoas que sinto falta deixo ao menos um ‘olá’ pequeno em algum lugar de fácil alcance, só para receber a resposta em seguida. A minha saudade de pessoas é a que mais me comove, é incessante, e vive num gráfico cheio de inclinações, com decidas bruscas e subidas exageradas. Ter saudade é não se contentar com a ausência, eu não me contento. Mas ter saudade é saber que a ausência é necessária, sem se contentar. No final das contas, saudade mesmo é se importar. 

6 comentários:

Taynná disse...

Eu sinto saudades suas, acredita? Eu sou do tipo que sempre sente falta. Felipe diz assim: mas como sente sem nunca ter conhecido? E não sei o que dizer, porque parece que conheço sabe, parece que você saiu assim de um pedaço da minha mão. Parece que você é uma personagem minha, daquelas que a gente tem tanto afeto que guarda as histórias pra poder contar pra sempre, sabe?
Eu sou nostálgica, do tipo que guarda ursinho de pelúcia que ganhou na infância e hoje não tem mais as orelhas, o nariz, um dos olhos, o povo olha e pensa: 'monstro de pelúcia', eu olho e vejo o Natal, o presente embrulhado, a casa lotada, a avó ainda viva. Não tem como me livrar dele, não mesmo.
Adoro seus textos, não sei se gosto de você por eles ou deles por você, o fato é que sou bem fã dos dois, rs...

Beijo Mai!

Blogueiros Literários disse...

Olá, boa tarde. Somos do Projeto "Blogueiros Literários" e queremos juntar o máximo de blogueiros possíveis (dessa categoria) num só lugar. Teremos a cada semana um tema: Semana da poesia, semana dos contos e semana das crônicas, poemas e textos sentimentais. Não iremos divulgar uma frase ou algo assim e você fará seu texto em tese disso, nós apenas iremos divulgar o seu texto. Corre lá, ainda dá tempo, junte-se a nós para formamos uma rede literária. A inscrição está aberta até amanhã.

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Desculpe a divulgação.

Caroline Araújo disse...

Fico aqui com gostinho de saudade nos lábios e com a vontade de escrevê-la nos dedos, mas aí releio o seu texto e vejo que tudo que precisava ler e sentir a cerca desse sentimento, que deu-me a mão e me acompanha sempre, está aqui em linhas tão delicadas e belas.
Mai, é sempre esplêndido vir aqui e deleitar-me em sua escrita, pois me identifico tanto com as suas palavras que tenho a sensação de vesti-las e sair exibindo-as com aí, com muito orgulho por elas virem de você.
Grande abraço apertado.

. Nadine disse...

Como disse Clarice: Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem. Há tantas saudades que eu sinto, pessoas, lugares. Vontade de devorar a presença deles, de sufocar essa ausência. Um lindo texto Maiara. Beijo.

Laura K. disse...

Pena que toda essa saudade e nostalgia pode nos atrapalhar de vez em quando...

Elania disse...

Saudade mesmo é querer saber.
Lindo e nostálgico. *-*