quarta-feira, 21 de março de 2012

As flores na janela


As flores na janela têm cheiro de mãos tremulas. Foi na manhã de Janeiro que elas apareceram dormindo no soslaio do batente. Quase tiveram cheiro de pés distraídos, mas o vento fez um pedido silencioso a mando do rapaz esguio e tímido que passou por ali mais cedo e deixou seu recado aos pés da porta da moça.

Suas flores preferidas, e ele sabia. Sabia tanto que ela se assustava vez ou outra. Pois o rapaz era um estranho completo para seus sentidos desnorteados pelo jeito de suas flores sem cheiro até então, porque ganharam identidade quando tocaram suas mãos.
“As flores só são flores quando tocam, e não quando são tocadas”. E as flores a tocou, assim como aquelas palavras emaranhadas em uma caligrafia indecisa. A grafite escorria pelos traços recém refeitos, e refeitos várias vezes, o papel amassado e fino, mostrava a indecisão do rapaz meio menino.

Ela sorriu. Um sorriso confuso e gentil, olhou para os lados, mas nada viu. Ele estava lá, atrás de uma árvore respirando ofegante e sentindo a madeira esfriar suas costas quentes. Um suspiro de satisfação quebrou a tensão de seus músculos. A porta foi fechada e as flores com cheiro de mãos tremulas e sorriso pequeno foram colocadas na janela, aos olhos delas; aos olhos dele.  

4 comentários:

Gislãne Gonçalves Silva disse...

Olá,
Tudo bem?

Iniciei um blog há pouco e navegando por essa imensidão da blogosfera deparei-me com teu blog. Gostei muito, por isso sigo-te.
Se puder e quiser visite meu cantinho
beijos

Mero Esmero disse...

Sensível e lírico na medida certa. Sempre a observar detalhes que passam invisíveis a olho nu. Parabéns pela forma singela, sincera e certeira como costurou as palavras.
Fraterno Abraço!

Bell Souza disse...

(...)
Tulipa é a minha flor preferida! :)

vell disse...

Baixinha que me surpreende sempre!

Lindo, cheiro ;*