quinta-feira, 29 de março de 2012

Do retrato que também sou



Foi devaneio, pensamento, desejo, palavra; foi medo, gesto, casulo, e voo livre. Foi lagarta de manhã, borboleta à tarde, à noite foi saudade, foi travesseiro salgado, foi pensamentos leves por todo o quarto; foi telefonemas, cartas, ultimatos; foi exigências, paz e ternura; foi surpresa, expressões, impressões; foi ali e aqui; foi acima de tudo primeira pessoa, singular e plural; foi pieguices e folhas secas; foi menina, mulher, essência; foi risos, lágrimas, malas nunca desarrumadas; foi ramos, foi leve, foi sem levar; foi olhos, sussurros, foi a falta de despedida; foi amor – continua sendo; foi em seus tempos verbais o que conseguiu ser, foi e deixou-se levar pelo pretérito perfeito da imperfeição trazida de outrora, foi presente, foi futuro, é agora, porque entre palavras e rabiscos impreterivelmente sou.

6 comentários:

Fênix27 disse...

Olá!
Visitando os amigos,cheguei até aqui, e encontro este post,com texto formidavel.Seu blog é de grande conteudo, e já estou a te seguir.
Felicidades.
http://wwwavivarcel.blogspot.com/

Yohana Sanfer disse...

Que lindeza moça!!! Adorei ler e me encontrar nestas palavras! Belo blog, bom voltar aqui! bjs

vell disse...

"foi e deixou-se levar pelo pretérito perfeito da imperfeição trazida de outrora,"

LINDO Mai, ;*

Laura K. disse...

Suavidade...

Arianne Carla disse...

Awn, Mai... Me achei tanto nesse seu texto. Me descrevendo a cada linha, a cada palavra. É incrível como você sempre consegue, você sempre criar uma essência desconhecida por mim, mas que sempre me encontro. rs

Pedro Menuchelli disse...

Mai,
Fico feliz por você ter voltado, espero que não fique mais longe daqui pois é muito bom te ler.

Um grande beijo,
Pedro