quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por volta das dezenove


19h:30min, eu estou atrasada, mas não deveria porque cheguei às 18h:00min.

A biblioteca silenciosa faz com que eu me sinta em casa, não que a minha casa propriamente dita seja o fiel retrato do silêncio, porque não é. Me refiro aqui à ideia poética que temos de 'casa', mais poética ainda quando dizemos 'lar'.

A bibliotecária abre a porta depois que a encosto com cuidado, já estou enfurnada nas prateleiras quando ela pergunta se quero ajuda, digo que não esticando o pescoço e sorrindo gentilmente, mas ela parece não acreditar na minha negação, faz uma cara cheia de descrença de quem sabe ou pensa saber que o outro não é capaz, não consegue fazer sozinho. Tanto faz.

Acho que ela me olhou daquele jeito porque da última vez que estive aqui também não pedi sua ajuda, e depois de um tempo ela veio toda pompa me perguntando que livro eu queria. Nesse evento eu tinha um livro específico em mente e disse o nome para ela. Me chateei porque eu estava na prateleira certa, mais uma olhada para baixo e lá estava ele. Seu livro de linguística fanfarrão! A bibliotecária o apontou e disse com boca cheia:
- Da próxima vez me peça logo ajuda, ou vai ficar perdida.
Ofereci um sorriso amarelo e agradeci pela ajuda, mas eu não a queria, porque com livros eu me entendo. Ainda direi isso a ela quando o meu humor estiver mais pra lá do que pra cá.

19h:17min, estou muito atrasada, mas não deveria porque cheguei às 18h:00min.

Um comentário:

Juliana Marques disse...

Vou te falar viu, essas bibliotecárias me irritam muito. Eu gosto de procurar pelos livros, gosto daquele cheiro de conhecimento e de páginas amareladas. Parabéns pelo texto, é ótimo. Adorei esse seu cantinho, o layout é lindo.
Beeijos :)