sexta-feira, 8 de junho de 2012

Forçar o silêncio com mais força



Às vezes forço o silêncio. Fecho portas, janelas, paredes, mas há sempre uma brecha por onde o som se esgueira. Uma rachadura no concreto, uma fresta por baixo da porta, uma falha pequena na janela. As vozes que me incomodam são abafadas, mas continuam ali, não somem, espero.

00h45min. E o sono não chega para eles por quê? Porque também não chegou para mim? Não se justifiquem nas minhas justificativas, pois não é justo.

00h47min. Cantam em vozes embargadas a embriagues do feriado tão vago. Felizes? Pergunto-me entre uma palavra e outra. Sim, para eles a felicidade cabe ali, no entorpecimento do próprio corpo, que logo mais amanhecerá triste, pois a realidade sempre os acorda com baldes de água fria. A resposta é um porre.

00h52min. Uma música ruim, talvez eu deva fechar mais portas, forçar o silêncio com mais força. 

5 comentários:

Mero Esmero disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mero Esmero disse...

Incrível seu dom de construir imagens Existenciais e Essenciais para entender - ou pelo menos - desmistificar a alma humana.

Giovanna Cóppola disse...

Nossa, que texto do caralho! Sem mais! (...)

Elania disse...

Guarde o silêncio, não o force mais. Mantenha-o ali, contigo...

Talvez eu tenha sido controvérsia no comentário, rs. Gostei bastante *-*

Milena M. disse...

Talvez deva. Tem horas que realmente não queremos ouvir o que o mundo tem a nos dizer e é melhor não dizer ao mundo o que queremos.

Beijo!