domingo, 3 de junho de 2012

Sr. Urso, cobre os meus pés, por favor?



Acordei com os pés para fora da cama, e eu que sempre me senti tão pequena, de repente estava incomodada com as pontas dos dedos voando soltas para fora do lençol.
Quando foi que eu cresci? E por que ninguém me avisou a respeito? Quer dizer, as coisas foram acontecendo tão rápido, ainda em minha memória a lembrança fresca dos pés descalços no quintal. E hoje estou aqui, ouvindo uma música do Tim para não me sentir tão sozinha nessa casa silenciosa.

É estranho porque sempre me disseram que eu era madura demais para a idade que tinha, apesar da minha discordância, era assim que eu era taxada. Será que se eu mostrasse o meu quarto de menininha eles mudariam de ideia? Se vissem todos aqueles ursos de pelúcia, e todo o excesso da cor rosa espalhado por todo o canto...

Para ser sincera, uma vez me senti realmente adulta, foi quando me deixaram pegar um ônibus sozinha pela primeira vez. Quando as pessoas começam a confiar solidão a você, significa que a fase transitória fora iniciada, não se esqueça disso. Primeiro foram as pistas de mãos desvinculadas, depois os ônibus sem companhia, e depois foi um empurrão discreto para o mundo. Na verdade foram pequenos tapinhas encorajadores, eu nem percebi que havia mãos em minhas costas, de repente eu estava lá, acordando com os pés desenrolados e chateados com o friozinho desolador. Estavam mesmo para fora da cama, estavam mesmo para fora.

3 comentários:

gabriela m. four disse...

é, a gente cresce e nem percebe...

tá na hora de comprar um cobertor novo... hahaha
:*

Giovanna Cóppola disse...

Esse empurrão discreto para o mundo é o que nos impulsiona para a vida. Sem ele, não há nada. Gostei daqui, voltarei mais vezes. Beijo

Marcelo R. Rezende disse...

Uma Alice inversa, que não se apequena nem se amedronta, mas que (se) surpreende.

Beijo.