terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Insatisfação fazendo novela



Ando tão farta de toda a insatisfação que me entorpece. Às vezes, simplesmente acho que não vou conseguir nunca. E essa é aquela sensação que sempre tento me privar de ter, porque não sou digna de pena. Na verdade, odeio essas reclamações. E, caramba, aqui estou a reclamar. Palavras e mais palavras sobre as palavras que nunca consegui escrever.
Eu preciso mesmo de uma chave, aquela que abre a porta para o triunfo de uma ideia, para o o âmago do êxito em tornar real o sonho virado e revirado daquele livro. O livro. Tudo bem se eu revelar que sempre que começo me desinteresso, tudo bem se eu afirmar que me desinteresso porque perco a vontade, a mão, e o ânimo, porque mais uma vez, fico insatisfeita com todos aqueles borrões. Tudo bem, mas não está nada bem pra mim. Ah, só eu sei quantas ideias mau saíram do estágio inicial e foram esquecidas, mortas pela minha constante insatisfação. No fundo eu sei que há algo para dizer, há muito a ser dito. Mas ainda não aprendi como alcançar a chave, como abrir a porta e fazer todo esse amontoado de palavras jorrar e enfeitar a palidez do papel. Enquanto isso, permaneço aqui com minha insatisfação fazendo novela.

Um comentário:

Déborah Arruda. disse...

A insatisfação é a forma do coração da gente de pedir para abrirmos a porta para o que nos torna completos. Espero que você encontre mesmo a chave, moça. E que o desejo de sentir-se plena leve embora tudo o que abafa essa vontade.
Beijo em você!