quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um porre de você



É toda essa chuva. Todo esse frio. É o clima externo conversando com o interno, conversa demorada, arrastada, vozinha mansa ao pé do ouvido e pronto, eis-me entregue a essa falta que arranha lentamente cada pedaço do corpo e da alma.

É saudade mesmo, dessas antigas, doídas, mas não comum. É saudade que não se mata num encontro, porque em meio ao abraço apertado com intuito de fundir-se num só, a saudade está, e ela fica ali, observando, batendo o pé, olhando o tempo em seu relógio imaginário. E quando é hora de ir mesmo, de escalar os degraus imensos da partida, a saudade entra na mala, no peito, na alma, faz doer forte para não deixar-se passar despercebida.

E é toda essa chuva batendo na janela, escorrendo no vidro, marcando seu rastro na pele. É o pensamento acelerado em dentes brancos reluzindo por motivo menor, mas grandioso. É a lembrança do cheiro, do calor. Sim, é principalmente isso, o quase sentir o calor só em trazer pra perto a memória. E o quase é o que me afoga, me entorpece nessa falta desmedida, sem vergonha. E se eu disser que quero um porre de você, dá pra acreditar? Dá pra levar a sério? Porque pra mim é fácil imaginar, é fácil querer esquecer o mundo todo lá fora, esconder-se em sei lá onde, e estar com você, e só você.

E é ficar ali, sem se mexer porque o medo de que seja mentira é assombroso. É um querer absurdo, eu sei, mas é um querer segredado a mim mesma todos os dias. E toda a água trazida pela chuva me inunda, faz com que todas as vontades escondidas saiam do lugar e nadem até a superfície, me deixando assim, com essa vontade desavergonhada de tomar um porre de você.

Um comentário:

Arianne Barromeü disse...

Saudade é tudo isso mesmo, Mai. Pelo menos a minha é, só coloco um pouco mais de dor e melodrama... Características da Arih. É uma chuva, é um frio... É uma vontade enorme de se descobrir aquecida nos braços daquele que mata a nossa saudade.
:)

Beijos,
Arih ❤