sexta-feira, 19 de julho de 2013

A pintura mais bonita da cidade




O entardecer vai fechando vagarosamente as pálpebras do dia, e o céu vai ganhando outro rumo, outras cores. Que clichê seria se eu dissesse que ali naquela pedra, com aquele som de água indo e vindo, indo e vindo, eu estaria extasiada, eu estaria poeticamente encoberta por suspiros sem identidade, eu estaria apaixonada pelo mar, e era recíproco.

Nessa pintura bonita o céu foi escurecendo, e o dia coçou os olhos fazendo milhares e milhares de pontinhos luminosos aparecer bem ali acima de meus devaneios. Eu deveria ser menos assim, me repreendo sempre, cortando asas e coisas mais, pé no chão e é isso, mas não consigo negar a mim mesma por longo período de tempo, por isso desisto quase sempre e me permito ser esse alguém de peito cheio, sentimental até o último fio de cabelo, sabendo que isso muitas vezes me custa mais do que eu posso oferecer.

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