sábado, 7 de junho de 2014

Ao ser mar



Tragando a superfície até a última faísca de ilusão. Encolhendo e expandindo. Ouço o sol chiar ao tocar o mar enquanto me despeço. Abandonei todos os antigos planos. Estou entregue aos meus braços, contando com meus próprios esforços, por mim mesma. Diante do abismo me desfiz num misticismo de pássaro em chamas. De volta ao pó. Refazendo-me. Transcendendo à escuridão. Abstraindo o agora. Doando-me por inteira. À flor da pele. Queimando. Ardendo. Os sonhos cintilando. A alma luzindo. Sentindo cada pelo se eriçar à mais breve possibilidade de brisa fresca. Entregue. Inteira. Nascente. Viva.

5 comentários:

Fer Castro disse...

É preciso se reinventar a cada novo atropelo e, na vida, a gente só pode esperar por muitos. Essa capacidade de fênix que se traz por dentro, quando não a única, parece a saída mais sensata. Força!

Jonas Gonçalves disse...

Que escrita maravilhosa! Prendi-me por inteiro nessas frases e palavras pausadas.

Déborah Arruda. disse...

Essa pausa dói, enfatiza, mas tem na essência, a força de evidenciar a serena possibilidade do recomeço.

Jhe pertille disse...

Toda vez que usamos a própria força para nos levantarmos, nos sentimos sem força, destruídos. Mas ela surge como um raio, forte. E assim fazemos todos os dias.

Parabéns, escreve muito bem.

Raquel disse...

E assim, ser tudo o que se quer, ser intensa!! Adorei!!