sábado, 19 de julho de 2014

A menina que eu era



No balanço eu era menina, despreocupada e desprovida de tudo o que não fosse sereno. Não cabia a esse mundo as minhas tranças que tiquetaqueavam com o vento. Sorrisos e lágrimas eram bordados no tempo pela brisa de minha alma - enquanto eu sorria, enquanto eu chorava. 

O som abafado de um sino ao longe me trazia de volta e me levava, era minha passagem, e eu era passageira da eternidade. E era tão bom ver as folhas e ouvir o mundo, e sentir na pele o fogo da vida queimar, eu seria aquela menina até o fim daquela era.

Essa era a menina que eu era. Na era que eu era minha, no fundo eu sabia, que depois da travessia... minha eu ainda seria. 

Um comentário:

Rebeca Postigo disse...

Saudade de quando era só uma menina com joelhos ralados...
Adorei seu texto!!!
Muito gostoso de se ler...

Bjo, bjo!!!