domingo, 30 de novembro de 2014

Segredos de alquimia





Levantando a barra do vestido, foram sete ondas, sete abismos. O meu nome. O seu nome. Ondas quebrando. Uma separação lírica. Ah... Contando estrelas. O cabelo na areia. Um teto luminoso para meus anseios. 

Faço a prece. Espera. Não se apresse. Inevitável. Corta-se a linha que tece.

Soluço. Lágrimas no trampolim. Memórias acenando pra mim. Esvaziei o peito. A noite sucumbiu, sem jeito, minhas contraposições. Transcendo ao acaso. O mar cantando à frente. Você. Marasmo. Folhas secas e arrebentações. 

Quem é? Como era o seu nome? Tão comum como qualquer outro. Primeiro: resistência. Fincando a paciência nos dias que se seguem. Segundo: reminiscência. Fincando o conformismo à sobrevivência que precede. 

Brilho da lua reflete meus olhares mais secretos. Ninguém pra gritar meus segredos. Ouço o eco de sua repetição. Quero exterminar sua inquisição. Esqueça, e cresça em decisões.  

A maré baixando. Levando o adeus pro fundo do mar, e pro meu peito - profundo lar. 

Cinza: chega uma tempestade. A espuma marítima conforta. Comporta minha dor. Desfaz-se. Traz sossego. Paz. Queima o apego. 

Cinzas: capataz do reminiscente. Não se pode esperar fogo. Fumaça. Nada mais pra ser gasto. Muito mais que ideologia de Fênix. Desperta. Alerta aos tropeços. Comum de dois. Eis a transfiguração do novo mundo. Separação de mãos. 

Adeus. Adeus. Um lenço tremulando acima da cabeça. Adeus. *Folie à deux.

*Em francês: “loucura a dois”.

Um comentário:

Caroline Araújo disse...

Há tempos não visitava algum blog, mas agora que estou de férias dei-me este presente. Ler um texto seu é sempre maravilhoso, primeiro pela experiência de encanto, descobertas e ser pega pela mão rumo a um mundo novo - em cada novo texto seu sempre há um mundo a desvendar -, e segundo pelo gosto de maresia que fica nos lábios, o sal nos dedos e todas as lembranças que a maré traz... É um prazer estar aqui. Grande beijo!