segunda-feira, 27 de abril de 2015

Súbito

Trinta fotografias de janelas em sua gaveta. Trinta invernos guardados em sua memória. As janelas inspiravam seus mais lunáticos devaneios. Chovia. Era outono. Trinta e um. Mergulharia em uma reflexão profunda sobre o tempo, silenciosa e cautelosamente responderia os cumprimentos que se amontoavam em sua caixa eletrônica. Vez ou outra sorriria, mesmo sendo a maioria fragmentos de esquecimento. Talvez a fase de começar a temer os fins dos ciclos estivesse logo ali, sendo abafada pela ansiedade dos dias. Já não sabia o que fazer com distâncias, não havia palavras para colocar em cartões postais, desaprendeu como ritmar passos na calçada, recentemente desejou morar no campo, idealizou um bucolismo barato, porque as buzinas na rua estavam arranhando seus ouvidos. Trinta e um. Se perguntava, mais uma vez, quantas vezes passaria por essas fases intermináveis onde não se sabe mais o que quer, para onde vai, o que está fazendo. Trinta e um, e não conseguia acreditar que aquela era ainda uma dessas idades cheias de questionamentos relevantes. Trinta e um, e não sabia qual era o lugar que ocupava no mundo; não sabia qual era o lugar que o mundo ocupava em si mesma.   

2 comentários:

Samuel Balbinot disse...

Bom dia Maiara..
encontrei vc no blog da Simone..
a vida vai passando e depois de uma idade que atingimos temos outra percepção..
dizem que aos 28 entramos em outro rumo e é bem isso.. pq comigo foi por volta desta idade.. e a vida segue cobrando..
ou despertamos ou ela tende a ficar sempre a murmurar em nossos ouvidos..
uma senhora que falei tempos atrás disse que muita coisa mudaria na minha vida apartir dos 35 rsrs ainda falta 5 anos... mas já dou a cara pra bater de uma vez rsrs melhor assim.. tenha um lindo dia.. abraços e feliz sempre

Simone Lima disse...

Oh! Isso é tão presente, acredito eu, em várias idades, esse sentimento de 'quem sou eu no mundo'
Fiquei pensativa com seu post. Gosto disso!

Beijoo'o