domingo, 12 de junho de 2016

que o que não foi não é


A necessidade daquela presença era indigente, tinha pretensão de nada, nasceu e morreu em silêncio, nem nome tinha, não me lembro. O nome que escorria noite a dentro não dava paz de forma alguma, tinha mania de querer textura onde nem tato tinha. Não podia segurar nada, os dedos eram fracos e perdiam pra logo o interesse. Só entendia, eu mesma, de memórias. Vagava entre a poeira, sacudindo os lençóis do tempo, sem tempo de soluçar, chorava era baixinho, porque tinha medo de chamar ouvidos e olhos. Atrelei o passado no encalço, arrastando sorrisos e lágrimas secas há tanto, e pranto já não era, mas entendia sobre ser sem querer fluir. Os nós eram sós, e presos enfileirados na garganta. Todo o grito imaginário ecoava por dentro, e nada vinha até a superfície, nada bastava. Mas dentro do peito, mordido, apanhava mais que batia por uma existência só, das outras era mais singelo e livre, corria feito criança desenfreada, sem preocupar-se com coisa ou bicho ou gente. Eu tanto que quis que já não sabia se tanto queria, o tempo gasta os rostos, gasta os corpos, gasta as vontades, gasta.  

2 comentários:

Djessica Prado disse...

Que lindo, e triste. Você escreve muito bem, parabéns.

www.maisfeminice.com.br

Murdock disse...

hoje percebo que você ainda esta por aqui... Isso foi o suficiente para alegrar meu dia